Benjamin Netanyahu afirmou que não vai tolerar qualquer tipo de incitação a violência pela morte de Mohammed Abu Khdeir

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu calma a população em meio a sinais de que a morte de um adolescente palestino foi motivada por vingança após o recente assassinato de três adolescentes israelenses. As informações foram divulgadas neste domingo (6).

Mais cedo: Israel prende suspeitos de assassinar adolescente palestino

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, preside reunião semanal de gabinete em seu escritório em Jerusalém
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O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, preside reunião semanal de gabinete em seu escritório em Jerusalém


Autópsia: Adolescente palestino assassinado foi queimado vivo

"Não vamos permitir que extremistas, não importa de que lado, inflamem a região e causem derramamento de sangue", disse Netanyahu em um comunicado televisionado nacionalmente. "Assassinato é assassinato, incitação é incitação e vamos responder de forma agressiva a ambos". Ele prometeu processar os responsáveis ​​com toda a extensão da lei.

Neste domingo, Israel prendeu seis suspeitos judeus pelo assassinato do jovem palestino que foi sequestrado e queimado vivo na semana passada - crime que desencadeou uma onda de protestos violentos em áreas árabes do país.

A região tem vivido momentos de instabilidade desde que os corpos dos três adolescentes israelenses - um deles cidadão dos EUA - sequestrados no mês passado foram encontrados. O crime foi atribuído ao grupo militante Hamas.

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Poucas horas depois de os jovens terem sido enterrados, Mohammed Abu Khdeir, um palestino de 16 anos de idade de Jerusalém Oriental, foi sequestrado perto de sua casa. Seus restos mortais carbonizados foram encontrados pouco tempo depois em floresta de Jerusalém. Resultados preliminares da autópsia constataram que ele ainda estava vivo quando foi incendiado.

Os palestinos acusaram imediatamente extremistas israelenses de matar o jovem por vingança. E no domingo, as autoridades israelenses disseram que os assassinos haviam agido por motivos "nacionalistas".

Seis suspeitos permaneceram sob custódia e estavam sendo interrogados, disseram as autoridades. Uma fonte que preferiu não se identificar acrescentou que o número de presos pode mudar de acordo com as investigações. A fonte não deu mais detalhes sobre os suspeitos, além do fato de que são judeus e a polícia não comentou oficialmente o assunto.

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Família

A família de Abu Khdeir disse que as prisões trouxeram um pouco de alegria, apesar de terem pouca fé no sistema judiciário israelense.

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"Não tenho nenhuma paz em meu coração, mesmo que eles capturem quem eles dizem ter matado meu filho", disse a mãe do adolescente, Suha. "Eles vão fazer perguntas e em seguida, liberá-los. Qual é o ponto disso?."

Ela acrescentou: "Eles precisam tratá-los da maneira que eles nos tratam. Eles precisam demolir suas casas e cercá-los da maneira que cercam nossos filhos."

A morte de Abu Khdeir desencadeou violência em seu bairro, com uma multidão furiosa destruindo estações de trem e arremessando pedras. A agitação se espalhou ainda para áreas do norte de Israel neste final de semana.

Neste domingo, a situação em Jerusalém Oriental, que abriga a maior parte dos palestinos da cidade, parecia estar se acalmando. Empresas e mercados reabriram e as estradas que haviam sido isoladas também foram reabertas para o tráfego.

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Depois que os adolescentes israelenses foram encontrados mortos, centenas de extremistas judeus marcharam pelo centro de Jerusalém pedindo "morte aos árabes". Mídias sociais também também foram inundadas com pedidos de vingança.

A ministra da Justiça, Tzipi Livni, disse que seu ministério está investigando alguns dos incitamento anti-árabes vistos no Facebook na semana passada. 

"Essas ações precisam ser cortadas enquanto ainda são pequenas", disse ela ao Canal 2 TV. "Neste momento, o trabalho de todos deve ser diminuir as chamas."

Segunda: Israel encontra corpos que seriam de jovens sequestrados

O ministro Jacob Peri, ex-chefe da agência de segurança Shin Bet, disse que se reuniu com líderes árabes no norte de Israel para acalmar as tensões. O presidente Shimon Peres, laureado com o Nobel da Paz, também estava em contato com líderes árabes.

Cerca de 50 pessoas foram presas em vários dias de manifestações após a morte de Abu Khdeir enquanto 15 policiais e dois civis ficaram feridos, de acordo com as autoridades.

Um primo palestino-americano de Abu Khdeir de 15 anos também foi ferido em confrontos com as forças de segurança israelenses em Jerusalém Oriental. O menino, Tariq Abu Khdeir, que vai para a escola na Flórida, ficou condenado em sua casa, localizada em Israel, durante nove dias enquanto a polícia investiga o que eles dizem ter sido uma participação do jovem em protestos violentos - acusação que a família nega.

O Departamento de Estado dos EUA disse que estava "profundamente incomodado" com os relatos sobre o espancamento e o ministério da Justiça de Israel iniciou investigação.

Quando o menino foi liberado de volta para casa, ele estava chorando e parecia estar machucada, com ambos os olhos e a boca inchada. "Eu me sinto melhor. Estou animado por estar de volta em casa", disse ele.

*Com AP e Reuters

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