Bandeira da Ucrânia foi novamente hasteada em Artyomivsk e Druzhkivka; insurgentes reunem milhares no centro de Donetsk

Forças ucranianas retomaram o controle de outras duas cidades no leste do país neste domingo (6).

Ontem: Forças militares expulsam insurgentes de cidade no leste da Ucrânia

Multidão ouve ativista pró-russos durante comíssio na cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia
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Multidão ouve ativista pró-russos durante comíssio na cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia

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De acordo com nota divulgada no site do presidente Petro Poroshenko, a bandeira nacional foi novamente hasteada em Artyomivsk e Druzhkivka. A conquista aconteceu um dia após forças do governo retomarem o controle de Sloviansk, tida como reduto dos insurgentes pró-russos desde abril.

Enquanto isso, uma grande multidão acompanhou comício na capital regional de Donetsk em apoio aos rebeldes. Combatentes foram reagrupados em Donetsk onde há relatos sobre um possível ataque a um quartel-general da guarda prisional do estado na tentativa de apreender armas.

Desanimados, mas desafiantes, separatistas pró-Rússia prometeram continuar lutando contra o governo de Kiev a partir da maior cidade do leste da Ucrânia, onde se reagruparam neste domingo depois de serem expulsos de outra cidade chave.

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Em comício na praça central de Donetsk, eles foram aplaudidos por milhares de simpatizantes com bandeiras da Rússia e da auto-proclamada República Independente das Pessoas de Donetsk. Muitos pediram ajuda ao presidente russo, Vladimir Putin, mas não houve nenhum comentário do Kremlin sobre o assunto até este domingo.

Embora a retirada dos rebeldes de Slovyansk - cidade de 100 mil habitantes que estava ocupada por insurgentes há meses - seja uma importante vitória, não significou o fim da ação rebelde no país. Poroshenko disse que o sucesso da ação teve uma "incrível importância simbólica". Não ficou claro se o governo - depois de abandonar o cessar-fogo na semana passada e voltar para as ações ofensivas - estaria vencendo a luta contra os separatistas.

Combatentes rebeldes de Slovyansk podiam ser vistos andando por Donetsk durante todo o domingo em grupos de dez a 15. A maioria ainda estava com uniforme de estampa de camuflagem, mas alguns ostentavam shorts e camisas de cores claras idênticas. Foi um esforço mal sucedido para se misturar com a população civil, uma vez que ainda carregavam armas automáticas.

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Em uma loja de câmbio no centro da cidade, cerca de 20 rebeldes alinhados trocavam dólares americanos por hryvnas ucranianos. O dólar é considerado uma moeda mais estável na Ucrânia e na Rússia, mas não se sabia quem teria dado o montante aos rebeldes. Mal humorados, eles se recusaram a falar com os jornalistas da Associated Press.

Igor Girkin, ministro da Defesa do que os separatistas chamam de República Popular das Pessoas de Donetsk, disse ao canal de televisão russo Life News no domingo que coordenaria a luta a partir de Donetsk.

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"Vamos continuar as operações de combate e tentar não cometer os mesmos erros que cometemos no passado", disse Girkin, russo, também conhecido pelo seu nome de guerra, Igor Strelkov. Autoridades ucranianas o identificaram como um veterano da agência de inteligência militar da Rússia.

"Vamos começar uma verdadeira guerra partidária em todo o perímetro de Donetsk," Pavel Gubarev, o governador da região auto-descrita disse à multidão. "Vamos afogar esses miseráveis ​​no sangue."

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Durante o discurso, porém, ele disse que os insurgentes podem facilmente morrer em Donetsk, se a Rússia não os ajudar. Gubarev disse rebeldes foram forçados a fugir de Slovyansk porque vários comandantes traíram Girkin e deixaram suas forças vulneráveis a ataques.

Apesar da intimidação na cidade, o clima entre os rebeldes era terrível em um posto de controle nos arredores de Donetsk neste domingo.

"Vamos lutar até o fim porque não temos para onde recuar", disse um ex-mineiro de carvão de 32 anos que concordou em revelar apenas seu primeiro nome, Artyom, devido a temores de retaliação. "Eu não quero cair nas mãos das autoridades ucranianas."

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Concordando em falar só depois de colocar uma máscara preta, ele disse que os insurgentes ainda esperavam por ajuda da Rússia, "mas a esperança enfraquece mais a cada dia."

Concentrar as forças em Donetsk pode ajudar e atrapalhar os rebeldes, de acordo com um especialista em segurança. "Donetsk será um osso mais duro de roer para as forças do governo por várias razões”, disse Mark Galeotti, especialista em segurança da Universidade de Nova York para Assuntos Globais.

Com uma população de quase 1 milhão, Donetsk é mais expressiva e tem uma concentração de defensores dos rebeldes maior. Em cima disso, as forças ucranianas podem tentar evitar o uso de aeronaves e artilharia, suas vantagens militares principais, por causa dos danos à cidade e mortes de civis.

Se as forças do governo tentarem tirar os insurgentes de Donetsk rua-por-rua "vão entrar em um campo onde os insurgentes são mais fortes. Quando se trata de fechar locais de combates, no geral, os insurgentes têm se mostrado mais eficazes do que a maioria das forças de Kiev", explicou Galeotti.

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Mudar o reduto para Donetsk também pressiona Putin a reforçar seu apoio aos rebeldes. A Ucrânia e o Ocidente acusam a Rússia de fomentar a insurgência, enviando tropas e armas, incluindo tanques e lançadores de foguetes, algo que Moscou nega. Putin tem até agora resistido às exigências dos rebeldes em auxilia-los, com receio de mais sanções ocidentais sobre a Rússia.

"Agora, Putin terá de ir a luta ou se calar", disse Galeotti. "Eles [rebeldes] poderiam perder Slovyansk. Mas se Donetsk cair, a insurgência também cairá."

Muito também depende se Poroshenko vai pressionar com ataques ou facilitar a saída dos rebeldes, na esperança de uma solução negociada ao invés dos confrontos. Ele começou sua presidência no dia 7 de junho apontando para um plano de paz e, em seguida, declarou cessar-fogo, mas está sob pressão da opinião pública para derrotar os rebeldes.

Insurgentes pró-Rússia também têm lutado contra tropas ucranianas na região vizinha de Luhansk, que também fica na fronteira com a Rússia. Nina Yakovleva, uma contadora de 45 anos e residente de Donetsk, disse não esperar nada de bom com a vinda dos rebeldes para a cidade.

"Estamos com medo de que Donetsk será deixada em ruínas, como Slovyansk", disse ela. "Os rebeldes nos trouxe guerra e medo."

*Com AP e BBC

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