EUA confirmam uso de armas químicas por forças de Assad na Síria

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Em resposta ao uso de armamento não convencional, incluindo gás sarin, duas autoridades disseram que Obama planeja enviar armas e munições para as forças rebeldes

Os EUA têm provas conclusivas de que o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, usou armas químicas contra as forças da oposição que tentam depor o governo, cruzando o que o presidente Barack Obama classificou como "linha vermelha" que desataria o envolvimento americano na crise, disse a Casa Branca nesta quinta-feira.

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Reuters
Combatente do Exército Livre da Síria corre para buscar proteção perto de aeroporto militar de Nairab, em Aleppo (12/06)

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Em resposta, duas autoridades disseram que Obama planejava enviar armas e munições para ajudar as forças rebeldes, embora a forma da ajuda ou quão rapidamente ela acontecerá não foram especificados.

As novas avaliações de inteligência dos EUA mostram que Assad usou armas químicas, incluindo o gás sarin (agente neurológico), em uma pequena escala várias vezes no ano passado. Até 150 pessoas foram mortas nesses ataques, disse a Casa Branca, constituindo uma pequena porcentagem dos 93 mil mortos na Síria desde o início do conflito, em março de 2011.

Denúncias:
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O senador republicano John McCain, que tem sido um dos maiores proponentes da intervenção dos EUA na guerra civil de mais de dois anos da Síria, disse que foi informado da decisão de Obama de armar os rebeldes.

O vice-assessor de segurança nacional de Obama, Ben Rhodes, disse que o presidente decidiu fornecer "apoio militar" direto à oposição em resposta ao uso de armamento não convencional, mas foi incapaz de discutir publicamente o tipo de auxílio que seria fornecido.

"Em relação ao que vamos fornecer, será diferente tanto em escopo quanto escala", disse Rhodes, acrescentando que a ajuda adicional teria como objetivo fortalecer a efetividade da oposição síria. Os EUA até agora forneceram aos rebeldes sírios rações e suprimentos médicos.

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O anúncio de quinta se seguiu a uma série de encontros urgentes na Casa Branca nesta semana que revelaram as profundas divisões dentro do governo sobre o envolvimento americano na guerra civil síria. Os proponentes da ação mais agressiva - incluindo o secretário de Estado John Kerry - pareceram ter vencido sobre aqueles reticentes em enviar armas e munição em uma zona de guerra em que combatentes do grupo xiita libanês Hezbollah e do Irã dão apoio às Forças Armadas de Assad e em que extremistas vinculados à Al-Qaeda apoiam a rebelião.

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Obama ainda se opõem a enviar tropas terrestres americanas à Síria, e os EUA ainda não tomaram nenhum decisão sobre operar uma zona de exclusão aérea sobre o país árabe, disse Rhodes.

A Casa Branca afirmou que acredita que o regime de Assad ainda mantém controle sobre os estoques de armas químicas da Síria e não vê qualquer evidência de que as forças rebeldes lançaram ataques com agentes mortais.

Em abril, o governo Obama anunciou que tinha "variáveis graus de confiança" de que o gás sarin havia sido usado na Síria. As descobertas mais conclusivas anunciadas nesta quinta foram auxiliadas por provas enviadas pela França que, em conjunto com o Reino Unido, anunciou ter determinado que o governo de Assad recorreu às armas não convencionais.

*Com AP

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