Coreia do Sul eleva alerta por risco de teste de míssil do Norte

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Seul afirma que há probabilidade 'muito alta' de que Pyongyang tenha se preparado para testar míssil de médio alcance e que lançamento pode ocorrer 'a qualquer momento'

A Coreia do Sul disse nesta quarta-feira (10) que há uma probabilidade "muito alta" de que a Coreia do Norte, que há semanas faz ameaças de guerra, realize o teste de um  míssil de médio alcance "a qualquer momento" como uma demonstração de força, apesar dos esforços diplomáticos para amenizar sua posição.

Diante do risco, os militares da Coreia do Sul e dos EUA elevaram seu nível de vigilância, chamado de Watch Condition (Condição de Alerta, em tradução livre), segundo informou uma autoridade do Ministério da Defesa. A autoridade, entretanto, se recusou a confirmar o que foi informado pela agência de notícias sul-coreana Yonhap News, de que o alerta está no segundo nível mais alto (ameaça vital).

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AP
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Pyongyang se prepara para marcar o aniversário de seu fundador, em 15 de abril, historicamente um período quando o país busca atrair atenção mundial com dramáticas demonstrações de poderio militar.

O ministro das Relações Exteriores sul-coreano, Yun Byung-se, disse que a Coreia do Sul pediu à China e à Rússia para intercederem junto à Coreia do Norte para aliviar a tensão que se acumula desde que o Conselho de Segurança da ONU aplicou novas sanções a Pyongyang.

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É esperado que o míssil em questão seja de médio alcance (3,5 mil km) capaz de sobrevoar o Japão, disse o chanceler japonês Yun Byung-se em Seul. Mais cedo, o Ministério da Defesa afirmou que as preparações aparentemente estão completas e o lançamento pode ocorrer "a qualquer momento".

O Japão instalou ontem um sistema de defesa antimísseis em Tóquio para se proteger de eventuais lançamentos.

Outras autoridades em Seul disseram que a vigilância sobre as atividades da Coreia do Norte foi reforçada. Transportadores de mísseis foram vistos na província de Hamgyong do Sul, ao longo da costa leste da Coreia do Norte - um possível local de lançamento.

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Em Washington, o almirante Samuel Locklear, comandante das forças dos Estados Unidos na região do Pacífico, também disse que o Exército dos EUA acredita que a Coreia do Norte deslocou um número não especificado de mísseis Musudan para sua costa leste.

O Musudan pode alcançar alvos a uma distância de 3,5 mil km ou mais, de acordo com a Coreia do Sul, o que colocaria o Japão ao alcance e pode até ameaçar a ilha de Guam, sede de bases militares norte-americanas. A Coreia do Sul pode ser alcançada pelo mísseis Scud de curto alcance.

Assista ao vídeo:

Autoridades norte-coreanas não anunciaram planos de lançar um míssil, mas afirmaram a diplomatas estrangeiros em Pyongyang que eles não serão capazes de garantir sua segurança a partir desta quarta-feira. Autoridades também pediram que turistas na Coreia do Sul deixassem o país, alertando que uma guerra nuclear era iminente. Entretanto, a maioria dos diplomatas e residentes estrangeiros não acataram as sugestões.

As ameaças são vistas por muitos especialistas ao redor do mundo como uma tentativa da Coreia do Norte de assustar estrangeiros, pressionando os governos de Washington e Seul a mudar suas políticas em relação a Pyongyang, bem como melhorar as credenciais militares do jovem líder norte-coreano, Kim Jong-un. A Coreia do Norte não tem relações diplomáticas com os EUA e com a Coreia do Sul, seus inimigos durante a Guerra da Coreia nos anos 50.

Nas ruas de Pyongyang, o foco era menos na preparação para a guerra e mais em embelezar a cidade antes do maior feriado nacional. Soldados colocaram mantas de grama para dar cor à capital do país, que recentemente saiu de um inverno rigoroso.

No ano passado, os dias que cercaram o aniversário de Kim Il-sung, avô de Kim Jong-un, foi marcado por paradas com tanques, soldados e mísseis, bem como o lançamento fracassado de um satélite carregando um foguete que, segundo os EUA e seus aliados no Ocidente, se tratava de um teste de míssil balístico. Um outro teste em dezembro foi efetuado com sucesso, e depois, o país fez um terceiro teste nuclear em fevereiro deste ano.

As sanções na ONU que se seguiram e os treinos militares conjuntos entre EUA e Coreia do Sul foram acompanhados de intensa retórica, ameaças e provocações da Coreia do Norte.

Com AP e Reuters

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