Equador retoma diálogo com Reino Unido, mas quer garantias para Assange

Presidente Rafael Correa anunciou neste sábado que as negociações com os britânicos estão em andamento, mas exigiu salvo-conduto ao fundador do WikiLeaks

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O governo do Equador anunciou neste sábado (25) que retomou o diálogo direto com o Reino Unido e a Suécia para buscar soluções para o caso Julian Assange e antecipou sua proposta: que Londres entregue um salvo-conduto ao fundador do WikiLeaks , ou Estocolmo dê garantias que não irá extraditá-lo a um terceiro país.

O anúncio foi feito pelo presidente equatoriano, Rafael Correa, durante seu habitual relatório de sábado, no qual também considerou "superado" o impasse diplomático com o governo britânico, que na semana passada havia ameaçado, segundo Quito, irromper na embaixada do país em Londres para prender Assange.

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O presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou a retomada das conversas com o Reino Unido

Correa deixou claro que o diálogo buscará uma "solução acordada", mas destacou que seu país terá esse diálogo "sem jamais vacilar em relação aos princípios, sem jamais negociar os direitos humanos de uma pessoa". "Essa saída -pode ser a garantia de que se Julian Assange for responder à Justiça sueca não seja extraditado a um terceiro país", afirmou. E completou: "Se não quiserem dar essa garantia, que outorguem o salvo-conduto para que o senhor Assange possa, com segurança, sair da embaixada equatoriana em Londres".

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As propostas, segundo o Executivo equatoriano, tentam eliminar a possibilidade de Assange ser extraditado aos Estados Unidos, onde poderia ser condenado à pena de morte ou prisão perpétua, sob acusações políticas por ter vazado telegramas diplomáticos secretos do país. No entanto, Correa destacou que a situação de tensão com o Reino Unido se diluiu e que surgiu novamente a possibilidade de novas conversas sobre o caso. "Que bom que o Reino Unido retrocedeu em sua ameaça, damos por jamais recebida essa ameaça! Daqui em diante, vamos buscar uma saída acordada por meio do diálogo ao caso do senhor Julian Assange", comemorou, embora tenha destacado que a suposta advertência de Londres ficará na história.

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"Graças a Deus, eu acho que as coisas voltaram ao seu lugar", definiu o governante ao dar por superado o "infeliz incidente", e classificou como "erro gravíssimo" a suposta "ameaça" feita pelas autoridades britânicas.

Correa insistiu que no dia 15 a Chancelaria em Quito recebeu um "aviso" das mãos do encarregado de negócios do Reino Unido no Equador, em que advertia com a possibilidade que autoridades britânicas entrarem na embaixada equatoriana em Londres para prender Assange. Isso mobilizou vários organismos de integração da América a várias reuniões em que apoiaram o Equador e rejeitaram a suposta "ameaça" do Reino Unido.

A Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) foi a primeira a reagir, e isso foi lembrado por Correa. A União de Nações Sul-Americanas (Unasul), composta por Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Uruguai, Venezuela e Paraguai (este, suspenso temporariamente após a destituição de Fernando Lugo), que condenou imediatamente a advertência britânica. A Organização dos Estados Americanos (OEA), onde discursam 34 nações do continente, também se solidarizaram ao Equador ontem em uma resposta que, segundo Correa, "foi contundente" e "praticamente unânime". "Fizemos história, fizemos respeitar nosso direito soberano de dar asilo a um cidadão que o solicitou e se fortaleceu a premissa de que as sedes diplomáticas são invioláveis", ressaltou o líder equatoriano.

Correa disse que o fato também serviu para evidenciar o fortalecimento da unidade latino-americana. "Isso nos ajudou a dar um grande passo para a consolidação da 'Pátria Grande' (América Latina)", disse após agradecer "a resposta da região" frente à "ameaça" britânica. "Daqui em diante, o importante é que o Reino Unido retirou a ameaça, que é uma grande notícia para o Equador, para América e para a humanidade, e daqui vamos seguir pelas vias do diálogo tentando encontrar uma solução ao caso do cidadão Julian Assange", concluiu o presidente equatoriano. 

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