Ministro Celso Amorim vê filme do filho e foge de política

Noite teve exibição de gala para “Corações Sujos”, de Vicente Amorim, e “Sudoeste”, de Eduardo Nunes no Cine Odeon

Luisa Girão e Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

O ministro da Defesa Celso Amorim esteve, na noite desta quinta-feira (13), no Festival do Rio . Mas ele não foi cumprir nenhuma agenda oficial. “Estou aqui como pai”, disse ele, que assistiu à exibição de “Corações Sujos”, no Cine Odeon, filme dirigido pelo filho Vicente Amorim. O ministro, que foi assistente de direção em “Os Cafajestes”, de Ruy Guerra, em 1962, e presidente da extinta Embrafilme de 1979 a 1982, trocou o cinema pela diplomacia e disse o que estava sentindo: “Como pai, se não conseguimos realizar algum sonho, esperamos que a próxima geração consiga. É assim que me sinto”, afirmou.

Mesmo deixando de lado o cinema, Amorim contou ao iG que esse é um tema constante na sua vida. “Através dos meus filhos (Vicente, João e Pedro), o cinema continua muito presente na minha vida. Sempre leio os roteiros dos filmes deles, mas acho que dou a opinião errada porque eles nunca seguem o que falo”, brincou. Ainda que descontraído, o ministro só não quis falar sobre política. “Quando saí da Embrafilme, prometi que não ia mais falar de política cinematográfica”, desconversou.

Como diretor, Vicente disse que estava um pouco mais nervoso devido à presença do pai na sessão. “Mas essa não é a primeira vez que acontece isso”, contou ele, acrescentando: “Em qualquer festival sempre há uma expectativa gigante. Mas, no Rio, é maior. Eu moro aqui, meus amigos e família estão aqui”.

George Magaraia
O ministro da Defesa Celso Amorim
Baseado no livro de Fernando de Morais, “Corações Sujos”, volta até o Brasil pós-Segunda Guerra para contar como a derrota do Japão repercutiu na colônia de imigrantes brasileira, a maior do mundo, reprimida pelo governo. O autor do livro, gostou do resultado. “Me emocionou muito. Lembro de uma entrevista que fiz com o Jorge Amado em que ele recomendava não assistir à adaptação do livro porque ele não gostava. Mas, para mim, esse conselho não valeu”, afirmou.

Sudoeste em preto e branco

Logo após “Corações Sujos”, o filme “Sudoeste”, de Eduardo Nunes, foi exibido no Cine Odeon. A fila para entrar no cinema estava rodando o quarteirão. A casa cheia e a expectativa alta preocuparam o diretor. “Estou muito nervoso, porque é um filme diferente do que o cinema nacional está fazendo. É em preto e branco, com poucas falas. É ousado, nesse sentido”, explicou Nunes.

Com Dira Paes, Mariana Lima e Simone Spoladore no elenco, “Sudoeste” é uma fábula que conta a história de uma menina que nasce, cresce e morre no mesmo dia. “É um filme que tem poesia. Eduardo é um expoente do cinema brasileiro e ele conseguiu realizar um sonho. Fico honrada de partilhar isso com ele” disse Dira.

O Odeon ficou mais uma vez com lotação máxima. Imensas filas se formaram trinta minutos antes da última sessão e vários convidados não conseguiram entrar. Sucesso absoluto, a première de gala, com tapete vermelho para as sessões neste cinema, tem sido disputada desde cedo. As bilheterias, assim que são abertas, já indicam a grande procura pelos ingressos. Com "Corações Sujos”, da première hors concours, e o filme “Sudoeste”, da mostra competitiva, não poderia ser diferente.

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