Europa predomina na competição do Festival de Berlim 2012

Somente cinco candidatos ao Urso de Ouro não vieram do continente, nenhum deles latino; Brasil participa com coprodução portuguesa

Mariane Morisawa, enviada especial a Berlim |

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Xavier Beauvois e Diane Kruger em "Les Adieux à la Reine": o fim da monarquia francesa
Com a crise na Europa, muito se fala nos países emergentes – Brasil, Rússia, Índia, China. Mas o Festival de Berlim 2012 está mesmo voltado para o umbigo. Nada menos que 13 dos 18 longas escolhidos pelo diretor Dieter Kosslick para a corrida pelo Urso de Ouro foram produzidos no continente europeu e/ou por diretores europeus. A abertura, com a coprodução França-Espanha “Les Adieux à la Reine” (“adeus à rainha”, na tradução literal do francês), de Benoît Jacquot, com Léa Seydoux e Diane Kruger, já dá o tom. O filme baseia-se num romance de Chantal Thomas sobre os primeiros dias da Revolução Francesa pelo olhar dos empregados do Palácio de Versalhes.

Da França, vêm ainda “À Moi Seule” (“só eu”, na tradução literal), terceiro filme de Frédéric Videau, sobre uma adolescente que tenta redescobrir a liberdade depois de viver em cativeiro durante oito anos; “Aujourd’Hui” (“hoje”), coprodução com Senegal dirigida por Alain Gomis, que fala de um homem que volta para Senegal após morar nos Estados Unidos; e “L’Enfant D’En Haut” (“a criança do topo”), segundo longa de Ursula Meier, sobre um garoto que rouba esquis dos ricos num resort nos Alpes Suíços para vender na cidade onde mora.

A Alemanha aparece com três competidores. Em “Barbara”, de Christian Petzold, a personagem-título é mandada para uma pequena cidade depois de tentar emigrar para o Oeste, nos anos 1980. Ela então espera uma alternativa, enquanto estabelece uma relação confusa com seu novo chefe. Em “Gnade” (“misericórdia”, na tradução), Matthias Glasner trata de uma mulher que foge de um acidente numa região isolada da Noruega e precisa lidar com as consequências. Já “Was Bleibt” (“o que permanece”), de Hans-Christian Schmid, é um drama sobre uma família cujas mágoas vêm à tona num fim de semana.

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“Cesare Deve Morire” (“César deve morrer), concorrente italiano, é dirigido pelos irmãos Vittorio e Paolo Taviani, responsáveis por produções como “Pai Patrão” (1977) e “Bom Dia, Babilônia” (1987). A dupla acompanhou por seis meses os ensaios de uma montagem de “A Tragédia de Júlio Cesar”, de William Shakespeare, numa prisão de segurança máxima em Roma.

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O longa-metragem português "Tabu", de Miguel Gomes, coproduzido com o Brasil
“Csak a Szél” (“apenas o vento”, na tradução), coprodução Hungria-França-Alemanha de Bence Fliegauf, foi inspirado por ataques a ciganos ocorridos na Hungria. Dirigido pelo dinamarquês Nikolaj Arcel, “En Kongelig Affaære” (“um caso real”, na tradução livre) recupera a história verídica do ganho de poder e influência do médico pessoal do rei, no século 18, que implementa mudanças como liberdade de imprensa e expressão, abolição da tortura e reforma do sistema escolar.

Nascido na Grécia, mas criado nos Estados Unidos, Spiros Stathoulopoulos apresenta seu segundo filme, “Metéora”, coprodução de seu país natal com a Alemanha que é uma história de amor entre um monge e uma freira. O espanhol “Dictado” (“ditado”), de Antonio Chavarrías, é um thriller psicológico envolvendo dois amigos de infância.

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Já o português Miguel Gomes (“Aquele Querido Mês de Agosto”, de 2008) exibe “Tabu”, uma coprodução com o Brasil, a Alemanha e a França, que faz referências à história do cinema ao falar de Pilar, cuja missão na vida é fazer o bem.

O continente americano está representado por apenas dois longas-metragens. “Jayne Mansfield’s Car”, dirigido pelo ator Billy Bob Thornton, fala de um homem que precisa lidar com o segundo marido e os filhos de sua ex-mulher para enterrá-la no lugar de seu nascimento. O canadense “Rebelle” (“rebelde”), de Kim Nguyen, tem como protagonista uma menina forçada a ser soldado e amante do comandante numa guerra civil africana.

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Isabelle Huppert em "Captive", dirigido pelo filipino Brillante Mendoza
A Ásia comparece com o chinês “Bai Lu Yuan” (“veado branco”, na tradução), de Wang Quan’an, sobre a briga pela terra entre duas famílias que sempre viveram em paz na China Imperial. Quan’na é um velho conhecido do festival alemão: "Apart Together" ("Tuan Yuan") foi premiado como melhor roteiro em 2010 e "O Casamento de Tuya" venceu o Urso de Ouro em 2007.

“Kebun Binatang” (“jardim zoológico”, na tradução livre), do indonésio Edwin, é uma coprodução com Alemanha, China e Hong Kong que trata de uma garota criada num zoológico.

Com participação da França, Reino Unido, Alemanha e Filipinas, “Captive” (“prisioneiro”) é a primeira produção internacional do filipino Brillante Mendoza , premiado como melhor diretor em Cannes, em 2009, por “Kinatay”. A presidente do júri que lhe concedeu o prêmio, Isabelle Huppert, estrela a produção sobre homens e mulheres sequestrados pelo grupo Muslim Abu Sayyaf em 2001. Pode-se dizer que Mendoza é o cineasta da competição de maiores credenciais em termos de festivais.

Neste ano, todos os competidores fazem sua première mundial no Festival de Berlim e não há nenhum diretor estreante. O Urso de Ouro e demais troféus da competição serão escolhidos pelo júri presidido pelo cineasta inglês Mike Leigh (de “Segredos e Mentiras”, Palma de Ouro em Cannes em 1996) e formado pelo fotógrafo e cineasta holandês Anton Corbijn, o diretor e roteirista iraniano Ashghar Farhadi, ganhador do Urso de Ouro no ano passado por “A Separação” , a atriz francesa Charlotte Gainsbourg (“Anticristo” e “Melancolia” ), o ator americano Jake Gyllenhaal (“Zodíaco” e “O Príncipe da Pérsia”), o cineasta e roteirista francês François Ozon ( “Potiche” ), o escritor argelino Boualem Sansal e a atriz alemã Barbara Sukowa.

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