Echo & the Bunnymen ressuscita álbum em SP e mostra que está vivo

Banda tocou ¿Ocean Rain¿ na íntegra em show belíssimo no Credicard Hall

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Futura Press
O vocalista do Echo & the Bunnymen, Ian McCulloch, durante o show do grupo em Belo Horizonte
“De novo no Brasil? Mas o cara nem tem mais voz!” Sempre que o Echo & the Bunnymen vem ao país, a história é mesma: eles estão sempre por aqui, ou seja, isso é sinônimo de decadência; e a era de ouro do vocalista Ian McCulloch está morta, enterrada e o que restou é um pigarro no fundo da garganta. Pois com muita alegria deu para constatar no show que a banda britânica fez ontem (11) à noite em São Paulo, no Credicard Hall, que tudo isso é balela. Acompanhado por cordas, o grupo tocou o álbum “Ocean Rain” (1984) na íntegra e mostrou sucessos para um público que compareceu em bom número.

A surpresa começou justamente aí. Em meio a uma temporada agressiva de shows gringos e concorrendo com o festival SWU, cerca de 2 mil pessoas resolveram desembolsar o valor do ingresso e encarar uma noite fria para voltar à década de 1980. Era um público bastante específico, maduro, gente que canta Depeche Mode enquanto espera na fila, e mulheres com mais de 40 anos, binóculo nas mãos, ávidas por ver de perto, longe da confusão da frente do palco, seu antigo ídolo – sim, McCulloch já foi rei.

Ele perdeu a majestade ao longo do tempo, deu a cara a tapa vezes e vezes ao encarar o microfone sem ter a mínima condição, mas melhorou, e muito. Longe do cigarro – costumava fumar dois ou três por música –, consegue aguentar o show inteiro sem fazer feio. Mais do que isso: lembra aqui e ali as versões originais de um grupo estrela do rock britânico há quase 30 anos. Nem precisava tanto.

Oito instrumentistas nos violinos e violoncelos, mais um maestro, se encarregaram de reproduzir as cordas de “Ocean Rain”, quarto trabalho do Echo, considerado por muitos o melhor de sua discografia. Shows como esse começaram no fim de 2007, no Royal Albert Hall, em Londres, viajaram por Europa, Estados Unidos e, depois de uma pausa, chegaram agora à América do Sul. Ao vivo, com os arranjos originais, o álbum soa atual, lírico, lindo. Will Sergeant, o segundo e último remanescente do grupo, continua seguro nas guitarras e a banda de apoio, competente. Toda a primeira parte foi memorável, mas é impossível não destacar o hit “The Killing Moon” e “Ocean Rain” – aí, Ian fez a diferença.

Depois de um intervalo de 15 minutos, saíram as cordas e McCulloch confessou: “agora a gente pode se soltar mais um pouco”. “Going Up” abriu o set list de sucessos e manteve os ânimos em alta – também do álbum de estreia, “Crocodiles” (1980), vieram “Rescue”, “Villiers Terrace” e “All That Jazz”. Do último disco, o mediano “The Fountain”, do ano passado, só tocaram o single “Think I Need It Too”. Daí sobrou mais tempo para o público cantar junto “Bring on the Dancing Horses” e “The Cutter”, entre outros hits. No curto bis, um medley de “Nothing Lasts Forever”, que marcou o retorno do Echo, em 1997, com a cover de “Walk on the Wild Side”, de Lou Reed. “Lips Like Sugar”, que todo mundo queria ouvir, fechou uma noite para provar que o Echo & the Bunnymen sim, está vivo. Eles vão voltar em breve para o Brasil, será? Tomara.

Veja abaixo o set list da apresentação no Credicard Hall:

“Silver”
“Nocturnal Me”
“Crystal Days”
“The Yo Yo Man”
“Thorn of Crowns”
“The Killing Moon”
“Seven Seas”
“My Kingdom”
“Ocean Rain”

“Going Up”
“Show of Strenght”
“Rescue”
“Villiers Terrace”
“Bring on the Dancing Horses”
“Think I Need It Too”
“The Disease”
“All That Jazz”
“All My Colours”
“Back of Love”
“The Cutter”

“Nothing Lasts Forever” / “Walk on the Wild Side”
“Lips Like Sugar”

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