Skank relembra época em que era "banda de reggae de ex-integrante do Sepultura"

Vocalista Samuel Rosa fala ao iG sobre o disco "Skank 91", com gravações do início da carreira do grupo

Augusto Gomes , iG São Paulo |

Em 1991, o Skank ainda estava longe de ser uma das bandas mais populares do Brasil. Havia acabado de mudar de nome (antes, chamava-se Pouso Alto), não tinha nenhum disco no currículo (o primeiro só sairia em 1992) e era totalmente desconhecida fora de Belo Horizonte. Os sucessos "Te Ver", "Garota Nacional" e "Vou Deixar" ainda iriam demorar alguns anos para aparecer.

"Quando fizemos um de nossos primeiros shows fora de Minas Gerais, um jornal paulista noticiou assim: 'Banda de reggae de ex-integrante do Sepultura toca em São Paulo'", recorda o vocalista Samuel Rosa, aos risos. A explicação: o tecladista Henrique Portugal era vizinho dos irmãos Cavalera e já havia participado de algumas gravações da banda de metal.

Pois é justamente a gravação deste show "da banda de reggae de ex-integrante do Sepultura" que integra o recém-lançado disco "Skank 91". O álbum divide-se em duas partes: a primeira, ao vivo, captada no Aeroanta, em São Paulo; a segunda, produzida no estúdio caseiro do baterista Haroldo Ferretti. "As duas são de 1991. São uma espécie de rascunho, de esboço do que seria o Skank", diz Samuel.

Na época, o Skank era uma banda recém-nascida. Samuel Rosa e Henrique Portugal haviam acabado com o Pouso Alto, seu grupo anterior, e formado o Skank com Lelo Zaneti e Haroldo Ferretti. A apresentação no Aeroanta foi a primeira da "nova" banda. "Tínhamos uma data agendada para o Pouso Alto, mas o grupo acabou. Aí o Skank 'herdou' o show."

Divulgação
Capa do disco "Skank 91"

O Aeroanta era então uma das grandes vitrines do país para novas bandas. "A gente queria voltar para Belo Horizonte dizendo que tínhamos tocado lá", recorda. Nesse sentido, o resultado foi atingido. Mas a apresentação não foi exatamente um sucesso. "Havia 37 pessoas na plateia. Tocamos na mesma noite da final do Campeonato Brasileiro entre São Paulo e Bragantino. Ninguém quis saber da gente."

Mesmo assim, o show foi gravado. O repertório incluiu canções que entrariam no primeiro disco do Skank, como "Gentil Loucura" e "Cadê o Penalty?". Já nas gravações feitas no estúdio caseiro de Haroldo estão "O Homem que Sabia Demais" e "Baixada News", entre outras. Ao lado delas, versões para "Raça" (Milton Nascimento) e "Telefone" (Gang 90).

"É um Skank inacabado, cheio de erros, até ingênuo. Mas não fiquei preocupado em lançar porque aquilo é verdadeiro, é a gente mesmo", explica. "Além disso, já estamos amparados por muitos anos de carreira. Nossa imagem já está formada, para o bem e para o mal. Não é porque oficializamos algumas gravações demo que isso vai mudar."

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"Além disso, consigo ver que, mesmo com todas as limitações, nós estávamos à frente em muitas coisas. Naquela época, nenhuma banda de rock usava metais, por exemplo. Depois da gente, O Rappa e Los Hermanos usaram", diz. "Não vou dizer que, se a gente não tivesse feito, ninguém ia fazer. Mas o Skank foi o primeiro a levar porrada e ser comparado a Paralamas do Sucesso. A gente abriu a porteira."

"Skank 91" será o único lançamento do grupo no ano em que a banda comemora os 20 anos de seu primeiro álbum. Disco novo, só em 2013. "No ano que vem, vamos entrar em estúdio", promete Samuel. "Mas, por enquanto, ainda não estamos compondo nada". O último CD de inéditas do quarteto, "Estandarte", é de 2008.

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