Camila Pitanga conquista prêmio no Amazonas Film Festival

“La Source des femmes”, produção franco-marroquina, e o iraniano “A Separação” levam, cada um, dois prêmios

Valmir Moratelli, enviado a Manaus (AM) |

Repetindo o feito, após vencer, no mês passado, a mesma categoria no Festival do Rio, Camila Pitanga, pela ótima atuação em “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”, ficou com o troféu de melhor atriz do 8º Amazonas Film Festival. O diretor Renato Ciasca a representou no palco. Mesmo ausente, Camila foi aplaudidíssima pelo público que lotou a praça São Francisco, centro de Manaus. Sua atuação no longa era, sem dúvidas, uma das unanimidades da noite. Incontestável.

A cerimônia de premiação começou por volta das 20h, em palco armado na frente do imponente teatro Amazonas. O Amazonas Film Festival, que teve início no dia 3 com a exibição de gala do filme “Xingu”, terminou na noite desta quarta-feira (9) distribuindo o troféu “Voo na Floresta” aos melhores da competição.

O troféu de melhor ator também foi para o filme que Renato assina com Beto Brant – pela atuação de Zé Carlos Machado, outro que não compareceu para receber seu prêmio. Aliás, o ponto fraco da noite foi a ausência da maioria dos premiados, que eram representados por amigos ou algum outro integrante da produção de seus respectivos filmes. O mexicano Alfonso Herrera, perseguido e adorado por uma legião de fãs ao longo do evento cinematográfico na capital do Amazonas, entregou este prêmio. Gritos histéricos eram ouvidos a cada momento que se anunciava o nome de Herrera.

Tropeços de “roteiro”

A apresentadora Ana Furtado foi a responsável por conduzir o encerramento, chamando ao palco os vencedores das principais categorias. Atrapalhou-se, porém, ao chamar o diretor argentino Santiago Mitre, dizendo que ele tinha feito o filme “A Separação”, de Asghar Farhadi. Na verdade, seu filme é o “El Estudiante”. Ana voltou a se enrolar ao anunciar o principal prêmio da noite, o de melhor longa. Deu um tom castelhano ao filme, que é iraniano. Disse “A Separacion” ao invés de “A Separação”.

Consertou-se mais tarde, avisada pela produção. “Infelizmente havia erros aqui no papel. Espero que isso não se repita”, disse ela. Ana, que no próximo carnaval será pela primeira vez rainha de bateria da escola de samba Grande Rio, foi lembrada pelo governador Omar Aziz sobre seu posto no mundo do samba. “Espero que conquiste o sonhado primeiro lugar, é a escola que cantou as belezas do Amazonas recentemente. Estamos na torcida”, disse ele, arrancando um sorriso da apresentadora, um tanto nervosa com os tropeços do roteiro.

O governador também falou sobre a importância da preservação da natureza – assunto que permeou os debates e coletivas de imprensa das produções. “Temos aqui no estado mais de 98% da floresta preservados. Muitas vezes somos olhados de forma preconceituosa pelo resto do País, mas temos que impor nosso valor com nossa cultura”, disse.

Segundo Robério Braga, secretário de Cultura do estado, informou que o curso superior Cinema, desenvolvido na Universidade Estadual do Amazonas (UEA) terá o primeiro semestre em 2013. Até lá, o secretário prometeu realizar oficinas, seminários e outras atividades relacionadas à sétima arte.

Irã x França

Disputando a preferência dos que acompanharam o evento, duas produções internacionais saíram empatadas do Amazonas Film Festival. “La Source des femmes”, produção franco-marroquina, levou o voto popular e melhor fotografia. Já o iraniano “A Separação”, que venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim neste ano, ficou com melhor roteiro e melhor filme.

A festa terminou como a população manauara mais gosta: ao ritmo dos bois Caprichoso e Garantido, da festa folclórica de Parintins. Bois-bumbá, índias, fantasias deslumbrantes, músicos e coreografias sincronizadas enceraram o Amazonas Film Festival, após uma queima de fogos. Os convidados ainda tiveram mais uma oportunidade de confraternização com uma festa no clube Alphaville, logo após a festa de premiação.

Confira os principais vencedores:

Curta-Metragem Amazonas
Melhor Filme: ‘Parente’, de Aldemar Matias
Melhor Direção: Leonardo J. Mancini, por ‘Morto Vivo’
Melhor Atriz: Mariana Campos, por ‘Morto Vivo’
Melhor Ator: Leonardo J. Mancini, por ‘Morto Vivo’
Melhor Roteiro: ‘Alegoria da Preguiça’, de João Aureo
Melhor Fotografia: ‘Parente’, de Aldemar Matias
Melhor Filme (voto do público): ‘Parente’, de Aldemar Matias
Prêmio Especial: ‘Rito de Morte’, de Sávio Stoco

Curta-Metragem Brasil
Melhor Filme: ‘Cachoeira’, de Sergio Andrade
Melhor Direção: Gilson Vargas, por ‘Casa Afogada’
Melhor Atriz: Amélia Bittencourt, por ‘Qual Queijo Você Quer’
Melhor Ator: Maurício de Barros, por ‘Cine Camelô’
Melhor Roteiro: ‘A Dama do Peixoto’, de Douglas Soares e Allan Ribeiro
Melhor Fotografia: ‘Ensolarado’, de Ricardo Targino (RJ)
Melhor Filme (voto do público): ‘Lápis de Cor’, de Alice Gomes (RJ)
Melhor Roteiro do Banco Daicoval: Marissol Nanni, por ‘Na Rota Da Ilusão’

Longa-Metragem Internacional
Melhor Filme: ‘A Separation’, de Asghar Farhadi (Irã)
Melhor Direção: Santiago Mitre, por ‘El Estudiante’ (Argentina)
Melhor Atriz: Camila Pitanga, por ‘Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios’ (Brasil)
Melhor Ator: Carlos Machado, por ‘Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios’ (Brasil)
Melhor Roteiro: ‘A Separation’, de Asghar Farhadi (Irã)
Melhor Fotografia: ‘La Source des Femmes’, de Radu Mihaileanu (Bélgica, Marrocos, Itália e França)
Melhor Filme (voto do público): ‘La Source des Femmes’, de Radu Mihaileanu (Bélgica, Marrocos, Itália e França)
Menção Honrosa: ‘Os Últimos Cangaceiros’, de Wolney Oliveira (Brasil)

* O repórter viajou a convite da organização do Festival

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