Cientistas defendem legalização do comércio de chifres de rinocerontes

Por Maria Fernanda Ziegler - iG São Paulo |

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Caça ilegal motivada pelo alto valor dos chifres está dizimando os rinocerontes. Grupo defende a retirada dos chifres de forma controlada e sem o abate dos animais

Cientistas afirmam que o chifre de rinocerontes, feito de queratina, cresce ao longo do tempo. Na imagem um animal descornado com um filhote. Foto: Geoff YorkEspecialistas afirmam que existam apenas 20 mil rinocerontes brancos. Foto: Rina GrantRinoceronte branco no Parque Nacional Krueger, na África do Sul. Foto: Duan Biggs

Quatro cientistas ambientais lançaram uma campanha nesta semana em defesa do comércio legal de chifres de rinocerontes, em uma tentativa de salvar os animais que correm sério risco de extinção em menos de 10 anos. Estima-se que a caça ilegal a rinocerontes tenha crescido 200% por ano nos últimos cinco anos. O motivo da matança está no alto valor dos chifres dos animais, que atingem preços mais altos que ouro – o quilo do chifre subiu de 4.700 dólares em 1993 para 65 mil dólares em 2012 - no mercado ilegal asiático, onde são atribuídas supostas propriedades medicinais e afrodisíacas ao material.

Especialistas afirmam que se a matança continuar, os rinocerontes serão extintos nos próximos 20 anos. De fato, o rinoceronte negro ocidental (Diceros bicornis longipes) foi declarado extinto pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, da sigla em inglês) em 2011. Estimativas indicam que existam apenas cinco mil rinocerontes negros e 20 mil rinocerontes brancos (Ceratotherium simum), a maioria na África do Sul e Namíbia.

Os cientistas ambientais defenderam, em um artigo no periódico Science, a destinação de cinco mil rinocerontes a uma reserva na África do Sul para a prática legal da retirada dos chifres e sem matar os animais. Com a produção anual de produção de chifre em um rinoceronte é de 0,9 kg, a reserva resultaria em 4,500 kg por ano.

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“Já existem cinco mil rinocerontes branco em reservas privadas espalhadas na África do Sul. Com um comércio legal isso provavelmente vai se expandir rapidamente. Não há necessidade de se criar uma reserva única”, disse ao iG o sul-africano Duan Biggs, do Conselho Australiano de Pesquisa do Centro de Excelência para Decisões Ambientais.

Bigg explica que como o chifre dos rinocerontes é composto de queratina, ele cresce novamente, como acontece com as unhas em humanos. No entanto, como normalmente a caça ilegal é feita de maneira rápida, o caçador abate o animal primeiro para depois retirar o chifre. Só em 2012, foram 663 rinocerontes mortos na África do Sul.“Existem técnicas para retirar os chifres usando tranquilizantes e com impactos e riscos mínimos ao animal. Também não há mudança significativa no comportamento dos animais descornados”, disse.

No artigo os cientistas argumentam que a proibição global de produtos de rinoceronte falhou, e as taxas de mortalidade entre os rinocerontes negros e brancos remanescentes do mundo, cerca de 20 mil animais, estão subindo devido à caça ilegal - que para retirar os chifres mata o animal - para suprir a alta demanda internacional.

“A atual proibição do comércio de chifres não está conseguindo atingir os objetivos de conservação dos rinocerontes. Sob um comércio legal, a demanda pode ser cumprida de maneira humanizada, tirando o chifre de rinocerontes vivos.”, disse ao iG Bigg.

O cientista explica que como o comércio é ilegal, é difícil obter informação sobre a demanda pelos chifres de rinoceronte. “No entanto, 4,5 toneladas por ano é a estimativa atual”, disse. Ele afirma que com a legalização do comércio, a demanda pode até aumentas, mas ela será atendida com o aumento da população de rinocerontes e sua consequente expansão geográfica. “Esta expansão da população será associada com a maior conservação e os benefícios socioeconômicos”, disse.

O artigo é assinado por Duan Biggs, Hugh Possingham, ambos do Conselho Australiano de Pesquisa do Centro de Excelência para Decisões Ambientais, Franck Courchamp, diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS, da sigla em francês) e Rowan Martin, consultor independente no Zimbábue.

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