Degelo de solo no hemisfério Norte pode liberar dobro de carbono na atmosfera

Estudo do Pnuma aponta que liberação de carbono contido na matéria orgânica congelada no permafrost pode amplificar aquecimento global

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Michael Fritz
Cientista observa alteração no permafrost na ilha Herschel, no oceano Ártico

O permafrost, solo permanentemente congelado que cobre quase um quarto do Hemisfério Norte, está derretendo por causa do aquecimento global e seu desaparecimento pode piorar ainda mais a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. É o que mostra um relatório divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

De acordo com o trabalho, todo o permafrost, que se estende por países como Rússia, Canadá, China e Estados Unidos, contém, na forma de matéria orgânica congelada, 1.700 gigatoneladas de carbono, duas vezes mais do que existe atualmente na atmosfera. Sua liberação pode amplificar significativamente o aquecimento global já esperado.

De acordo com Kevin Schaefer, da Universidade do Colorado, e coordenador do estudo, o que pode ocorrer é um movimento que ele chamou de "permafrost carbon feedback". "E uma vez que ele seja iniciado, será irreversível. É impossível colocar a matéria orgânica de volta ao permafrost."

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Atualmente, a camada de gelo, que chega a ter mais de dois metros de espessura, já vem apresentando uma diminuição de tamanho. O derretimento, além do impacto à atmosfera, pode afetar os ecossistemas assim como a infraestrutura construída sobre o gelo permanente.

O anúncio foi feito em meio à realização da 18ª Conferência do Clima da ONU, no Catar (Doha), onde mais de 190 países discutem como vão lidar com as mudanças climáticas. Schaefer lembrou que as previsões de aumento da concentração de gases e de temperatura até o final do século apresentadas no último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), de 2007, e levadas em conta nas negociações da ONU, ainda não consideram as estimativas do carbono que pode ser liberado pelo permafrost.

"Pedimos aqui para que isso seja considerado porque qualquer meta de redução de emissões pode ser muito baixa", afirmou o pesquisador. Segundo ele, até 2100, 39% das emissões podem vir do derretimento do permafrost. Presente ao evento, Jean-Pascal Van Ypersele, do IPCC, disse que essas emissões já estarão contabilizadas nos cenários futuros no relatório que começa a ser divulgado em setembro do ano que vem.

A repórter viaja a convite da Convenção do Clima (UNFCCC)

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