Grupo americano sugere imposto sobre açúcar

Pesquisadores americanos propõem tributação como a de bebidas alcóolicas e cigarro também em produtos com alto teor de açúcar

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

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Açúcar em excesso: consumo de caloría líquida está na mira de pesquisadores
Pesquisadores americanos sugerem que o açúcar seja tão taxado como cigarros e bebidas alcoólicas. De acordo com artigo publicado no periódico científico Nature, o açúcar é tão tóxico para a saúde que justifica esse tipo de medidas de controle.

Robert Lustig, Laura Schmidt e Claire Brindis, da Universidade da Califórnia, afirmam que o consumo de açúcar triplicou nos últimos 50 anos e o produto é responsável por 35 milhões de mortes por ano, segundo dados da ONU, decorrentes de doenças como diabetes e cardíacas.

Os pesquisadores afirmam que a regulação do consumo de açúcar poderia incluir taxar produtos açucarados, o que aumentaria o seu custo, reduzir o número de lugares onde alimentos deste tipo pudessem ser comprados e até a determinação de uma idade mínima (17 anos) para que bebidas com a adição de açúcar pudessem ser compradas.

Os pesquisadores afirmam que “está na hora de voltar a atenção para o açúcar. Estas medidas simples se tomadas serão ferramentas essenciais para nossa saúde pública e bem-estar”.

A medida é vista com bons olhos por pesquisadores do Brasil. Rafael Claro, do núcleo de pesquisas epidemiológicas da Universidade de São Paulo (USP), também acha que a taxação é necessária. O nutricionista afirma que intervenções individuais e campanhas de alimentação saudável têm baixo resultado. “É uma mensagem quase sem efeito”, disse.

Claro ressalta que, embora o corte ao açúcar pareça uma campanha americana, mais de 50% dos adultos do Brasil apresentam sobrepeso, de acordo com dados do IBGE. A preocupação não está apenas em reduzir o consumo de alimentos com muito açúcar, mas principalmente em bebidas como refrigerantes, chás adoçados e sucos em pó.

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“O problema está no consumo de caloria líquida. O corpo percebe menos quando a caloria é líquida e não consegue compensar este ganho extra na próxima refeição”, disse ao iG .

Claro afirma que é necessário o consumo de açúcar para gerar energia, mas há aquele intrínseco em alimentos, como a lactose do leite e a frutose das frutas que já seriam o suficiente. “Refrigerante é o auge do supérfluo, algo propício para a taxação”, disse.

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