Bloqueio de substância cerebral parecida com a maconha faz emagrecer, diz estudo

Pesquisadores da Universidade da Califórnia testaram mecanismo em ratos, que apresentaram queima mais eficiente de gordura

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Getty Images
2-AG é semelhante à maconha
Um composto químico presente no cérebro de todos os mamíferos, e que é quimicamente parecido com a maconha, parece ser a nova arma contra a obesidade. Pesquisadores descobriram que ao “bloquear” o neurotransmissor 2-AG em ratos, eles passaram a queimar gordura de maneira muito mais eficiente. O próximo passo da equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia é criar medicamentos que diminuam os níveis de 2-AG no cérebro.

No estudo, a equipe de Daniele Piomielli modificou neurônios nos ratos para que a produção de 2-AG fosse limitada em 50%. Os ratos modificados permaneceram magros porque seu tecido adiposo marrom - responsável por manter o calor corporal - ficou hiperativo, conservando calor de modo muito mais rápido que em ratos normais.

“Nós não entendemos completamente como isso aconteceu, mas parece que a gordura marrom se torna hiperativa e responde mais aos estímulos que causam a queima de gordura. Note que os ratos modificados tinham níveis normais de 2-AG em gordura marrom. Nós alteramos apenas o 2-AG no cérebro e, no entanto, observamos um efeito profundo sobre a gordura marrom, o que mostra a importância do cérebro no controle do metabolismo energético”, disse ao iG Piomielli.

Leia mais:
Plantio de maconha nos EUA alimenta efeito estufa, diz cientista
Efeito 'similar à maconha' explica gula por comidas gordurosas
Estudo afirma que maconha causa "caos cognitivo" no cérebro

Piomielli explica que a maconha contém o THC que, combinado com proteínas nos neurônios chamadas de receptores de canabinóides, produzem os efeitos alucinógenos da droga. “O 2-AG também se liga aos receptores de canabinóide e, se fossse ministrado ao organismo, funcionaria como a maconha. Porém, embora os neurônios produzam o 2-AG , eles o fazem na medida certa, no local e no tempo correto. Portanto o nosso 2-AG não causa ‘barato’, mas gera funções fisiológicas como a descrita no estudo”, disse.

Agora os pesquisadores querem desenvolver novas drogas que diminuam os níveis de 2-AG no cérebro e consequentemente estimulem o metabolismo. Porém, Piomelli adverte que ainda é preciso estudar os potenciais efeitos negativos deste mecanismo.

    Leia tudo sobre: maconhaemagrecimentodietacérebro

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG