Equipe utilizou dados de telescópios que escanearam 10 milhões de galáxias

Astrônomos internacionais anunciaram, nesta segunda-feira (9), a criação do maior mapa da matéria escura feito até o momento no universo, usando dados de telescópios potentes que escanearam 10 milhões de galáxias. Acredita-se que a misteriosa substância represente aproximadamente um quarto do universo, mas sua natureza é um enigma, pois só pode ser detectada de forma indireta através da atração gravitacional que exerce sobre a matéria visível.

Para fazer o novo mapa, os astrônomos estudaram como a luz emitida pelas galáxias se distorce ao passar por grandes grupos de matéria escura em seu trajeto para a Terra.O resultado é uma "intrincada rede cósmica de matéria escura e galáxias que se estende por mais de um bilhão de anos-luz", informaram os astrônomos da Universidade da Columbia Britânica (UBC), no Canadá, e da Universidade de Edimburgo, na Escócia.

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"É fascinante poder 'ver' a matéria escura usando a distorção espaço-tempo", disse Ludovic Van Waerbeke, da UBC, que trabalhou no projeto, conhecido como o Estudo da Lente Telescópio Canadá-França-Havaí (CFHTLenS, na sigla em inglês)."Isto nos dá um acesso privilegiado a esta misteriosa massa no universo que não pode ser observada de outra forma", acrescentou.

Sua aparência é a de "uma rede de gigantesca densidade (branca) e regiões vazias (escuras), onde as áreas brancas maiores são do tamanho de várias luas terrestres no céu", destacou o estudo, apresentado na reunião anual da American Astronomical Society em Austin, Texas, sul dos Estados Unidos.

Os dados são resultantes de cinco anos de imagens captadas pela câmera instalada em um poderoso telescópio no Havaí.O mapa inclui galáxias que, no geral, estavam a 6 bilhões de anos-luz de distância, e capta luz emitida quando o universo tinha 6 bilhões de anos (aproximadamente a metade de sua idade atual).

As tentativas anteriores de fazer um mapa da matéria escura dependeram, em grande medida, das simulações por computador.Os astrônomos envolvidos no projeto disseram que nos próximos três anos esperam elaborar um mapa com área 10 vezes maior à realizada atualmente.

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