País tem desafio de combater pobreza intelectual, diz SBPC

Presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência  reivindicou o investimento de 10% do PIB em educação

Agência Brasil | - Atualizada às

Agência Brasil

Agência Brasil
Helena Nader, disse que um dos principais desafios do país é acabar com a pobreza intelectual

Com o tema Ciência, Cultura e Saberes Tradicionais para Enfrentar a Pobreza, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) abriu nesse domingo (22) a 64ª reunião da entidade. De acordo com a presidenta da SBPC, Helena Bonciani Nader, um dos desafios da reunião deste ano é encontrar caminhos para combater a pobreza intelectual.

“O que será discutido aqui não é só a pobreza no sentido socioeconômico, porque tirar da pobreza econômica não é difícil, isso está sendo feito. O que eu quero é um passo adiante. Daqui a quantos anos vamos ver essa população que precisa do Bolsa Família tendo seus filhos em escola de alta qualidade e com acesso à tecnologia que as classes mais abastadas têm? É isso que a gente quer para o Brasil, manter as pessoas com bolsa? Ou será que temos que dar para esses indivíduos a cidadania? A condição de ele poder ter o próprio trabalho?”, disse a presidenta da SBPC durante a abertura do evento.

Helena Nader reivindicou o investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação e a partilha de 50% do Fundo Social formado por recursos obtidos com a exploração de petróleo na camada pré-sal para investimentos em educação e ciência e tecnologia.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, destacou que é preciso incorporar os conhecimentos tradicionais aos sistemas de ciência, tecnologia e inovação, “assegurando aos seus detentores a divisão justa e equitativa de sua produção”.

Raupp ressaltou ainda que a contribuição da ciência não ocorre apenas dentro de laboratórios. “A tendência mundial é que a ciência e o cientista deem uma colaboração maior na formulação de políticas públicas nas diversas áreas de atuação governamental.” O ministro engrossou a reivindicação dos recursos do pré-sal e estimulou a mobilização da comunidade científica. Além disso, destacou a realização do Fórum Mundial de Ciência, em 2013, no Brasil. "As discussões já começam em agosto deste ano, na cidade de São Paulo", disse.

Para o reitor da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), Natalino Salgado Filho, a ciência e o conhecimento são parte da solução para a desigualdade social. “A questão da pobreza é histórica e cultural. Vamos aliar o conhecimento cientifico aos saberes para trabalhar uma área de produção e, a partir daí, estimular as comunidades a industrializar seus conhecimentos tradicionais. A ciência é um instrumento de mudança para o povo brasileiro”, ressaltou.

Manifestantes grevistas chamaram a atenção ao interromper o início da solenidade. Com muito barulho, um grupo de professores e servidores da Ufma, em greve desde o dia 31 de junho, pediu espaço para expor os motivos da paralisação que já atinge 57 das 59 universidades federais de todo país. “Reivindicamos que governo respeite a educação e as propostas da categoria dos professores. Além disso, nos perguntamos se a educação, a universidade e a ciência, de fato, visam à erradicação da pobreza. Quantas conferências, mesas-redondas e trabalhos científicos contribuem efetivamente para a mudança da sociedade?”, questionou o representante do comando de greve e professor da área de educação da universidade, Rosenverck Santos.

Veja cobertura do iG da reunião da SBPC de 2011:
Corte do orçamento e Código Florestal dão tom da reunião da SBPC
Presidente da SBPC pede para incluir ciência no Código Florestal
Mercadante cobra investimento de empresas privadas
Urbanização no cerrado altera idioma dos índios Xerente
Cientista afirma que falta capacitação para testes com animais
Energia nuclear vai ficar mais cara e terá mais pesquisa
Astrônomos debatem entrada do Brasil no ESO
Cidades brasileiras receberão sistema que prevê desastre natural

Desde 1950, a SBPC homenageia anualmente cientistas que deram contribuições significativas para o desenvolvimento da ciência brasileira. Entretanto, nesta edição, a SBPC homenageou quatro ex-diretores que morreram em 2012: Aziz Ab'Saber, Gilberto Cardoso Alves Velho, Luiz Edmundo de Magalhães e Antônio Flávio de Oliveira Pierucci. A SBPC também homenageou o cientista e político maranhense Renato Archer, que morreu em 1996.

Premiação
Durante a abertura do evento, a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) foi anunciada como ganhadora do 32º Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica 2012, na categoria Instituição e Veículo de Comunicação. Patrocinado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o prêmio é concedido anualmente a uma de suas três categorias: Divulgação Científica e Tecnológica, a um pesquisador ou escritor que atue como como divulgador da ciência; Jornalismo Científico, a um jornalista destaque da área, e Instituição, premiando a instituição ou o veículo de comunicação que mais apoiou a divulgação científica.

A organização do evento confirmou a inscrição de 10 mil pessoas e aguarda o dobro de participantes até o final da reunião. Hoje (23), às 10h30, o ministro Marco Antonio Raupp fará uma conferência sobre o tema Estratégia Nacional de Ciência e Tecnologia – Desafios e Oportunidades. O evento vai até sexta-feira (27).

    Leia tudo sobre: sbpceducaçãocienciahelena nader

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG