Protesto contra PEC 37 em São Paulo vira ato de oposição ao governo Dilma

Por Ricardo Galhardo - iG São Paulo | - Atualizada às

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Manifestação reúne número bem menor do que o previsto pela PM. Além da PEC, via-se cartazes contra corrupção, governo, pela redução da maioridade penal e direitos dos animais

A presença foi menor que a esperada: cerca de 3 mil pessoas contra 80 mil previstas pela PM. Foto: Futura PressManifestação contra a PEC 37 neste sábado (22) em São Paulo reuniu causas diversas. Foto: Futura PressMédicos protestam contra plano do governo de importar profissionais cubanos. Foto: Futura PressManifestação contra a PEC 37 neste sábado (22) em São Paulo reuniu causas diversas. Foto: Futura PressManifestação contra a PEC 37 neste sábado (22) em São Paulo reuniu causas diversas. Foto: Futura PressAlbert Del Vecchio foi para a Paulista protestar contra o governo de Dilma Rousseff. Foto: Ricardo Galhardo/iGManifestação contra a PEC 37 neste sábado (22) em São Paulo reuniu causas diversas. Foto: Futura PressManifestação contra a PEC 37 neste sábado (22) em São Paulo reuniu causas diversas. Foto: Futura PressManifestação contra a PEC 37 neste sábado (22) em São Paulo reuniu causas diversas. Foto: Futura PressManifestação também reuniu ativistas pelos direitos dos animais. Foto: Futura PressCarolina escolheu a causa dos direitos dos animais no protesto contra a PEC 37. Foto: Ricardo Galhardo/iGAgência do Itaú na Avenida Paulista protegeu sua fachada com tapumes. Foto: Futura Press

Cerca de 30 mil pessoas se reuniram na tarde deste sábado (22) na Avenida Paulista para protestar contra a PEC 37 que limita os poderes de investigação do Ministerio Público, mas o ato acabou se tornando um protesto contra o governo da presidente Dilma Rousseff.  O grupo se reuniu na Avenida Paulista, na altura do Masp e desceu a Consolação, bloqueando o trânsito das duas avenidas em ambos os sentidos. Depois, se dividiu: parte dos manifestantes foi para Rua Xavier de Toledo em direção ao Anhangabaú e parte se dirigiu à Avenida Brigadeiro Luís Antônio. Um grupo de cerca de mil pessoas chegou a se sentar na frente da Prefeitura e cantou o hino nacional, enquanto perto dali, no Anhangabaú, o grupo de rock RPM tocava músicas de Caetano Veloso e Pink Floyd.

Apesar de ter começado pequena e crescido ao longo da tarde, o número de manifestantes foi bem aquém da previsão inicial de Polícia Militar, que esperava cerca de 80 mil pessoas, e menor ainda dos 230 mil que confirmaram presença no evento pelo Facebook.

A grande maioria dos manifestantes protestou contra impunidade e corrupção, de maneira genérica. Mas quando as manifestações citavam nominalmente politicos ou partidos, elas se dirigem ao PT ou mandatários eleitos pela legenda. Ao longo do protesto, cartazes contra o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) foram vistos, mas em geral, a maior parte das reclamações eram dirigidas ao governo. A reportagem do iG também viu pelo menos um grupo de 30 skinheads com tatuagens de símbolos nazistas e usando camisetas com temas nacionalistas e separatistas.

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"É que o mensalão deu muito mais escandalo e nada foi feito," disse o comerciário Fábio Rosa, de 35 anos. Questionado sobre o fato de políticos envolvidos no esquema terem sido condenados no STF, titubeou antes de responder: "Mas ninguém foi preso".

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Alguns manifestantes carregavam cartazes em tom agressivo contra Dilma, que ontem fez um pronunciamento à nação. Muitos manifestantes questionavam o teor do discurso da presidente, e um grupo de médicos foi visto protestando contra o plano de trazer médicos cubanos para o Brasil.

As palavras de ordem também mudaram: os manifestantes cantavam "vem, vem pra rua, vem, contra o governo" e "quem não pula quer a Dilma".

O diretor comercial Albert Del Vecchio, 33 anos, carregava um cartaz com a frase: "Dilma, vá tomar no c.". Perguntado sobre o motivo da frase: "Porque não?"

Depois de discorrer sobre os escândalos de corrupção do governo petista, Del Vecchio revelou o motivo político de seu protesto: "O que ela e o PT têm feito de bom para o país? Está na hora de alguém governar para todos os brasileiros, e nao só para uma parcela da população. Hoje o governo do PT privilegia apenas os mais pobres", disse Del Vecchio.

A exemplo de outros protestos, a manifestação da tarde deste sábado virou palco para os mais diversos temas: um grupo comandado pela deputada federal Keiko Ota (PSB-SP) protestava pela redução da maioridade penal e aumento da pena máxima de 30 para 50 anos. Outro grupo numeroso se manifestava pelo aumento das punições referentes a crimes contra animais.

"Você podia ser um cachorro, eu podia ser um cachorro e você podia ser um humano protestando em minha defesa," disse a comerciante Carolina Marchese, 59 anos. Muitos trouxeram seus animais de estimação para o protesto.

Vários promotores do Ministério Público Estadual e procuradores do Ministério Público Federal, instituições que também convocaram para essa manifestação, também participaram do protesto.

De acordo com o Procurador da República Rodrigo De Grandis, responsável pela investigação de alguns dos principais escândalos de corrupção do país, como a Operacao Satiagraha, o fato da PEC 37 ter sido mencionada em vários protestos nas últimas duas semanas ajuda a pressionar o Congresso contra a aprovação da emenda: "O que é positivo é que toda a população está tomando consciência e o debate sobre a PEC 37 deixou de pertencer apenas ao meio juridico".

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