Procuradoria ignora Funai e decide investigar morte de criança

ONG afirma que uma criança indígena de 8 anos foi morta. Após investigação de 2 dias, Funai disse que tudo não passava de boato

Wilson Lima, iG Maranhão |

Após uma reunião realizada na tarde desta terça-feira (10), o Ministério Público Federal (MPF) no Maranhão anunciou que vai investigar a denúncia da suposta execução de uma criança indígena Awá-Guajá de oito anos de idade na terra indígena Araribóia, na cidade de Arame, a 469 quilômetros de São Luís.

A notícia: Funai investiga morte de criança indígena no Maranhão

O desmentido : Funai diz que morte e queima de criança indígena é mentira

Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a criança foi morta e queimada por madeireiros . A regional de Imperatriz da Fundação Nacional do Índio (Funai), entretanto, classificou a informação como boato e mentira após uma investigação de dois dias .

Reprodução/Google Maps
Arame fica a 469 quilômetros de São Luís, capital do Maranhão
A  Polícia Federal também foi acionada para ajudar nas investigações. Uma equipe do Cimi se dirigiu na manhã desta quarta-feira (11) para a região de Arame, com o objetivo de levantar mais informações sobre o caso.

Depois que a Funai divulgou o relatório afirmando que a informação sobre a execução da criança indígena era um “atentado à inteligência às pessoas de bem”, o Cimi defendeu em comunicado oficial uma investigação mais completa do caso.

No relatório técnico do órgão, não fica claro, por exemplo, se os investigadores tiveram contato com os Awá-Guajá antes de refutar a denúncia da entidade. “Apenas investigações mais detalhadas feitas dentro da mata, local de caça dos Tenetehara e palco do episódio denunciado, poderão dizer como o assassinato desta criança indígena ocorreu e como se deu o ataque aos Awá-Guajá isolados”, aponta o Cimi.

Os representantes do Cimi dizem que não podem “jogar na vala” denúncias dos próprios indígenas sobre a morte da criança indígena. Além disso, o Cimi afirma que o relatório da Funai, mesmo não apontando indícios da morte do Awá-Guajá, comprova a condição de vulnerabilidade dos indígenas da região em relação aos madeireiros.

Impunidade: Um índio foi morto a cada seis dias no Brasil em 2010, diz estudo

Assassinato: Acusado de morte de índio é condenado à prisão no DF

Crueldade: Índios são queimados após ataque a bomba em ônibus escolar

Os investigadores da Funai refutaram a denúncia do Cimi depois de ouvir o indígena Clóvis Tenetehara. Tenetehara foi o líder indígena que alertou sobre a morte da criança aos representantes do Cimi tanto em Arame, quanto em São Luís. “Não sabemos o motivo pelo qual ele mudou de opinião. Eu seria leviana de emitir qualquer juízo de valor”, disse a coordenadora do Cimi no Maranhão, Rosana Diniz. Fontes ligadas ao Cimi, entretanto, afirmam que o indígena pode ter mudado de opinião após ser ameaçado por madeireiros que atuam na região.

    Leia tudo sobre: funaicimiíndiosmaranhãassassinatoministério público

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG