Diferenças sociais entre raças diminui, mas ainda são elevadas

Renda de pretos ou pardos continua inferior a da população branca, segundo dados do relatório Síntese dos Indicadores Sociais

iG São Paulo | 17/09/2010 10:00

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As diferenças sociais entre a população de cor branca e os que se consideram pretos ou pardos vêm diminuindo gradualmente a cada ano, mas ainda seguem em patamares elevados evidenciando um alto grau de disparidade no tocante a inserção na comunidade e a geração de oportunidades de desenvolvimento social.

Segundo dados do relatório Síntese dos Indicadores Sociais 2010, divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1999 a 2009 houve um crescimento da proporção das pessoas que se declaravam pretas (de 5,4% para 6,9%) ou pardas (de 40% para 44,2%), que agora somam 51,1% da população do País.

No entanto, os rendimentos de pretos ou pardos continuam inferiores ao da população branca, embora a diferença tenha diminuído nos últimos dez anos. Os rendimentos-hora de pretos e de pardos representavam, respectivamente, 47% e 49,6% do rendimento-hora dos brancos em 1999, passando a 57,4% para cada um dos dois grupos em 2009.

Os percentuais de rendimentos-hora de pretos e pardos em relação ao dos brancos, em 2009, eram, respectivamente, de 78,7% e 72,1% para a faixa até 4 anos de estudo, de 78,4% e 73% para 5 a 8 anos, de 72,6% e 75,8% para 9 a 11 anos, e de 69,8% e 73,8% para 12 anos ou mais.

A desigualdade entre brancos, pretos e pardos se exprime também quando se observa o número de pessoas por posição na ocupação. Entre as pessoas ocupadas de 10 anos ou mais de idade, em 2009, eram empregadores 6,1% dos brancos contra 1,7% dos pretos e 2,8% dos pardos. Ao mesmo tempo, pretos e pardos eram, em maior proporção, empregados sem carteira (17,4% e 18,9%, respectivamente, contra 13,8% de brancos) e a maior parte dos empregados domésticos com carteira assinada (3,9% e 2,3% contra 1,9%) e sem carteira (8,3% e 6,8% contra 4,1%).

Segundo o IBGE, a desigualdade também teve melhora quando se observa a distribuição por cor ou raça nos 10% mais pobres e no 1% mais rico. Em 1999, 8% dos mais pobres eram pretos e 62,9%, pardos, números que passaram em 2009 para 9,4% e 64,8%. Observando o extremo mais rico, eram 1,1% de negros e 8% de pardos em 1999, passando em dez anos para 1,8% e 14,2%, respectivamente.

A população branca de 15 anos ou mais tinha, em média, 8,4 anos de estudo em 2009, enquanto pretos e pardos têm, cada um dos grupos, 6,7 anos. Os patamares são superiores aos de 1999 para todos os grupos, mas o nível atingido tanto pelos pretos quanto pelos pardos foi inferior ao patamar de brancos em 1999 (7 anos de estudo).

A proporção de estudantes de 18 a 24 anos que cursavam o ensino superior também mostrou situação inferior em 2009 para pretos e pardos em relação à dos brancos em 1999: 62,6% dos estudantes brancos de 18 a 24 anos cursavam o nível superior contra 28,2% de pretos e 31,8% de pardos. Em 1999 eram 33,4% entre os brancos contra 7,5% entre os pretos e 8% entre os pardos. Em relação à população de 25 anos ou mais com ensino superior concluído, houve crescimento na proporção de pretos (2,3% em 1999 para 4,7% em 2009) e pardos de (2,3% para 5,3%). No mesmo período, o percentual de brancos com diploma passou de 9,8% para 15%.

No tocante à cor ou raça, a inserção das mulheres também se dava de forma diferenciada. Entre as de cor branca, cerca de 44,0% estavam na informalidade; percentual que era de 54,1% entre as pretas e de 60,0% entre as pardas. A maior diferença na taxa de formalidade entre as mulheres, segundo sua cor ou raça, ocorreu na região Norte, onde 55,9% das brancas estavam no mercado informal contra 67,1% das pretas e 68,3% das pardas. A menor diferença era a do Sul, cujos percentuais eram de 44,2% para brancas, 43,4% para pretas e 50,5% para pardas.

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