A condenação representa um passo importante para que a memória de Simone seja respeitada
Reprodução Acervo Familiar
A condenação representa um passo importante para que a memória de Simone seja respeitada


Após quatro anos de espera, a família da baiana  Simone Barreto Silva finalmente recebeu uma resposta da Justiça . O responsável pelo atentado ocorrido no dia 29 de outubro de 2020, em Nice, no sul da França, foi condenado à prisão perpétua .

O ataque brutal resultou na morte da brasileira, conhecida por organizar, junto com sua irmã Solange, a tradicional Festa de Iemanjá na Riviera Francesa.

O caso, que chocou o mundo e gerou comoção tanto na França quanto no Brasil, teve um desfecho que trouxe um sentimento de justiça para os familiares da vítima. Embora a dor da perda permaneça irreparável, a condenação representa um passo importante para que a memória de Simone seja respeitada e que crimes dessa natureza não fiquem impunes.

Em entrevista ao site Correio 24 Horas, Solange Barreto, irmã de Simone, disse que o sentimento é de que a justiça foi feita, pois, além de ter ficado quatro anos preso aguardando julgamento, o assassino recebeu a pena máxima. Solange afirmou ainda que agora toda a família poderá tirar a raiva e a dor do coração e que as lembranças boas de Simone ficarão para sempre em sua memória.

O advogado da família, Régis Bergonzi, em entrevista ao portal iG , destacou que a condenação representa um alívio, mas não elimina a dor da perda. "A família Barreto expressou emoções mistas. Os filhos de Simone ainda são jovens e, independentemente da sentença, eles perderam a mãe. No entanto, sentiram alívio ao ver que o culpado foi reconhecido como tal. Embora estejam gratos por finalmente terem alcançado justiça após quatro longos anos, a dor da perda de Simone continua profundamente presente", disse.

Bergonzi afirma também que a condenação traz um certo senso de fechamento, mas também serve como um lembrete da perda irreparável que a família de Simone sofreu. "Agora, eles ainda precisam se reconstruir e seguir em frente, o que será mais uma batalha para essas crianças e jovens adultos. Não podemos esquecer disso e devemos estar cientes de que eles precisarão de apoio em seu caminho", conta.

O advogado também ressaltou a importância da decisão para evitar futuras impunidades. "Essa condenação é fundamental para garantir que crimes dessa natureza não fiquem impunes. Ela envia uma mensagem forte à sociedade de que atos de terrorismo e violência serão responsabilizados, independentemente de quanto tempo passe", pontua.

O doutor também afirma que o caso demonstra que a justiça pode demorar, mas não será negada. Especialmente em casos de terrorismo, onde a impunidade pode encorajar outros a cometer atos semelhantes e onde há inúmeras vítimas colaterais, muitas vezes jovens, como no caso de Simone Barreto. "As crianças que perderam sua mãe precisam ser apoiadas por todos nós", enfatizou.

O impacto da decisão na família e no legado de Simone também foi um dos assuntos abordados. "Essa decisão terá um impacto profundo na família de Simone e em seu legado. Para sua família, ela traz um senso de validação e reafirma que a vida de Simone foi valiosa, que seu espírito e generosidade continuam vivos", orgulha-se.

Para Bergonzi e a família da vítima, a condenação reforça a importância do seu trabalho na promoção do patrimônio cultural e da união comunitária (vale lembrar que Simone ajudava no Festival de Iemanjá, na Europa). "A união da comunidade é exatamente o oposto do que ataques terroristas tentam criar: medo e divisão. A decisão pode inspirar outros a continuar seus esforços, garantindo que seu legado permaneça vivo por meio do festival e dos valores que ele representa", concluiu.


Relembre o caso

Ao menos três pessoas morreram, uma delas decapitada, e várias ficaram feridas na cidade francesa de Nice, em um ataque com uma faca dentro da Basílica de Notre Dame, no centro da cidade. O ataque aconteceu por volta das 9h. Segundo a polícia local, um suspeito foi baleado e levado para o hospital, onde permaneceu para prestar esclarecimentos. De acordo com testemunhas, o homem gritou "Allahu Akbar" (Deus é grande) diversas vezes antes de ser preso pela polícia.

Além de Simone, outras duas pessoas morreram e uma delas foi decapitada pelo assassino.

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