Burocracia atrasa adoção de 5,7 mil crianças no Brasil

Por Agência Brasil |

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Atualmente, cadastro tem 33,5 mil pretendentes e cerca de 5,7 mil crianças aguardando serem adotadas; burocracia barra

Agência Brasil

O Dia Nacional da Adoção de Crianças, comemorado amanhã (25), foi lembrado neste domingo (24), durante uma caminhada pela orla de Copacabana, no Rio de Janeiro. O ato foi promovido pela Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção, pelo Tribunal de Justiça do Rio e pela Assembleia Legislativa.

Uma das organizadoras, Barbara Toledo já adotou duas crianças e disse que crescer em uma família é um direito de todos. “Adoção é uma forma legítima de se tornar família e tem de ser protegida pela legislação e pelo Estado. Temos que despertar para o abandono das crianças nas instituições, que estão passando vários aniversários sem família.”

Mas a adoção não é uma tarefa simples, como mostram as estatísticas. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que, atualmente, o cadastro tem 33,5 mil pretendentes e cerca de 5,7 mil crianças aguardando serem adotadas, o que dá praticamente seis pretendentes para cada criança.

Um desses casos é o da trabalhadora doméstica Claudete Dias, que está esperando há oito meses na fila de adoção. Ela está na fila por uma criança parda com menos de 3 anos de idade. “É uma burocracia muito grande. Eu e meu marido passamos um pouco de vergonha porque o médico psiquiatra achou que nós não éramos capazes, porque eu estava com 49 anos de idade.”

Os grupos de apoio à adoção tentam estimular casais a adotarem crianças mais velhas. A advogada Dália Taiguara, de 44 anos, diz que não demorou na fila. Dália é casada com outra mulher e diz que o fato de as meninas terem duas mães não é o principal problema no trâmite da adoção. “Eu não demorei muito por causa do perfil [pretendido]. Em 2009 eu queria uma criança até 5 anos e fiquei um mês na fila. Já com a outra nem na fila eu fiquei, por causa da idade e da cor. Negra e 12 anos.”

O empresário Nagib Pachá Junior, de 62 anos, diz que no início ficou reticente com o processo de adoção, mas que, no final, mostrou-se feliz pela insistência da esposa: “Eu estou aprendendo junto com ele. Vale a pena. Bom para ele, muito melhor para nós.”

Este mês, o CNJ lançou uma nova versão do Cadastro Nacional de Adoção (CNA). A expectativa é que, com o cruzamento de dados entre os pretendentes e as crianças de todo o Brasil, o processo seja mais rápido.

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