Saiba as consequências do 11 de Setembro para o Oriente Médio

Atuação de EUA na região, que invadiu Iraque, fortaleceu rival Irã, possibilitou ascensão de Turquia e dificultou processo de paz

Marsílea Gombata, iG São Paulo |

Os ataques terroristas do 11 de Setembro mudaram a última década e os anos que virão ao ter como consequência decisões de Washington que debilitaram o país política, econômica e militarmente .

Saiba as consequências para o Oriente Médio:

AP
Fumaça sobe de Ministério do Comércio em Bagdá depois de ele ser atingido por ataque das forças lideradas pelos EUA (20/03/2003)
O Oriente Médio foi, sem dúvida, uma das regiões mais impactadas pelo 11 de Setembro. Após ser pego desprevenido pelos ataques, Washington se deu conta do conhecimento insuficiente que tinha sobre a região, disse o especialista argelino Azzedine Layachi, da Universidade St. John’s, em Nova York. “Os EUA também perceberam que sua inteligência não estava apta o suficiente para evitar novos ataques”, disse.

A agenda da política externa dos EUA no Oriente Médio foi construída com o propósito de prevenir outro 11 de Setembro e caçar quem estivesse por trás dos atentados. Para isso, Washington prometeu “dar fim a Estados que patrocinassem o terrorismo”, conforme anunciou o então vice-secretário de Defesa americano, Paul Wolfowitz, em outubro de 2001.

Os EUA buscaram minar líderes que, de alguma maneira, não estavam se alinhando à sua diplomacia, como Iraque, Irã e Síria. “Dos três, o Iraque parecia ser o mais fraco e logo se tornou alvo da política unilateral e arrogante dos EUA, que não demorou a ser seguida pelo Reino Unido”, disse Layachi.

Com as invasões do Iraque e do Afeganistão, no entanto, um dos principais desafetos americanos acabou fortalecido: o Irã majoritariamente xiita se projetou regionalmente e impulsionou um programa nuclear que incomoda o Ocidente e o aliado Israel.

Para alguns analistas, o discurso da Guerra ao Terror também contribuiu, em parte, para prejudicar chances maiores de um acordo de paz no Oriente Médio, uma vez que Israel passou a se apropriar dele para condenar o grupo islâmico Hamas, ao acusá-lo de terrorismo.

“Depois do 11 de Setembro ficou mais fácil para Israel apontar o Hamas como organização terrorista, fortalecendo a posição israelense contra os palestinos”, observou o especialista da Universidade St. John’s.

O cenário regional foi propício para que a Turquia emergisse como poder regional entre Israel e o Irã. Uma das principais razões para isso, de acordo com o jordaniano Mouin Rabbani, colaborador do Projeto de Informação e Pesquisa do Oriente Médio (Merip, na sigla em inglês), foi o fato de Ancara ter se negado a participar da invasão anglo-americana no Iraque. “Isso sinalizou o início de uma política turca independente para o Oriente Médio, baseada em interesses turcos e não americanos”, concluiu.

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