Cerimônias ao redor do mundo marcam aniversário do 11 de Setembro

Homenagens e manifestações tiveram espaço no dia em que os atentados contra os Estados Unidos completam dez anos

iG São Paulo |

Autoridades e residentes de diversos países ao redor do mundo prestaram suas homenagens às quase 3 mil vítimas que, há dez anos, morreram nos atentados de 11 de Setembro . (Veja cronologia dos ataques) . Do Afeganistão à Espanha, príncipes e líderes transmitiram mensagens de solidariedade ao povo americano, que sofreu com os ataques praticados por 19 terroristas a partir do sequestro de aviões.

AP
Réplicas das Torres Gêmeas, destruídas nos atentados, são colocadas na Praça do Trocadero, em Paris

Em Paris, a inauguração de uma réplica das Torres Gêmeas, destruídas após a colisão de duas das quatro aeronaves sequestradas, marcou a homenagem francesa à data. As edificações, de 25 metros de altura, foram colocadas nos jardins do Trocadero, tendo a Torre Eiffel como cenário. As estruturas também continham os nomes dos mortos no 11 de Setembro e as mensagens de apoio recebidas pela fundação The French Will Never Forget (a França nunca esquecerá, em tradução livre), fundada em 2003 por um grupo de empresários franceses residentes nos EUA que quiseram contribuir para eliminar o sentimento anti-francês entre alguns americanos depois que o país se opôs à guerra contra o Iraque.

As duas torres, compostas por uma estrutura metálica e cobertas por uma lona branca, foram projetadas pelo escritório do arquiteto Jean-Pierre Heim, que classificou a obra "como um símbolo de paz para o futuro". A cerimônia, que contou com um minuto de silêncio, teve a presença do embaixador americano em Paris, Charles H. Rivkin, o prefeito da capital francesa, Bertrand Delanöe e de outras autoridades locais.

Na Itália, cidades lembraram os atentados de maneiras diferentes. No aeroporto de Roma, os passageiros e funcionários fizeram um minuto de silêncio no momento em que, dez anos atrás, um avião atingia a primeira torre do World Trade Center, em Nova York. Vários anúncios foram feitos por alto-falantes nos aeroportos de Fiumcino e Campucino e às 14h46 no horário local (9h46, horário de Brasília), os presentes pararam seus afazeres, em sinal de respeito.

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Papa Bento 16 celebra missa em Ancona, na Itália
Também na capital italiana, o prefeito Gianni Alemanno e o embaixador dos EUA no país, David Throne, foram juntos a uma missa e depositaram um ramo de louro diante do monumento dedicado às vítimas. Thorne declarou-se "eternamente grato pela solidariedade demonstrada pelos italianos no trágico dia".

Em Ancona, o papa Bento 16 realizou uma missa ao ar livre no canteiro naval de Fincantieri e fez um apelo aos políticos a "resistir à tentação do ódio". Bento 16 também pediu aos políticos, diante de dezenas de milhares de pessoas reunidas, que "trabalhem na sociedade inspirando-se nos princípios de solidariedade, de justiça e paz".

O príncipe Felipe, herdeiro da coroa espanhola, inaugurou, ao lado da esposa, princesa Letizia, um bosque de carvalhos americanos no Parque Ferial Juan Carlos I, em Madri, dedicado "à memória de todas as vítimas do terrorismo", em especial os 2.977 mortos nos ataques em Nova York, Washington, e na queda de um avião sequestrado na Pensilvânia. O embaixador dos EUA na Espanha, Alan Solomont, destacou que no dia dos atentados seu país decidiu que não deixaria que os terroristas mudassem sua forma de vida ou minassem sua democracia. "São valores que compartilhamos com a Espanha: a crença na democracia, os direitos humanos e o respeito às diferenças culturais e religiosas", afirmou Solomont.

A solenidade reuniu mais de 200 membros da comunidade americana na Espanha. Também participaram a ministra espanhola de Relações Exteriores, Trinidad Jiménez, e o prefeito de Madri, Alberto Ruiz Gallardón, que receberam José Luis San Pio, pai de Silvia, única cidadã espanhola morta nos atentados. Os príncipes Felipe e Letizia ajudaram, junto ao embaixador e sua esposa, Susan, a plantar os últimos dez carvalhos do parque.

Familiares das vítimas cubanas de um atentado contra um avião em 1976 em Barbados enviaram mensagens de pêsames aos que perderam parentes no 11 de Setembro. "Acompanhamos em seus sentimentos, vamos unir esforços para que novas famílias não tenham que chorar mais a perda de seres queridos como consequência de ações terroristas", assinala a mensagem publicada na primeira página do governista Juventud Rebelde.

A nota está assinada pelo Comitê de Familiares das Vítimas da Explosão do Avião Cubano em Barbados, um atentado no qual morreram 73 pessoas, 57 delas cubanas. "As imagens transmitidas pelas televisões de todo o mundo nos encheram de angústia e dor, reviveram a lembrança da morte de nossos familiares, vítimas de um ato terrorista perpetrado contra uma aeronave civil cubana e cujos um dos autores, Luis Posada Carriles, desfruta de impunidade nos EUA", acrescenta.

Após apontar que "o 11 de setembro de 2001 é uma triste data que sentimos como nossa", o Comitê assegura compartilhar com os americanos "a profunda dor que se sente ao ver que, no lar, a cadeira do ente querido permanece vazia por culpa de quem pratica o ódio".

Críticas

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou neste domingo que os atentados cometidos no 11 de Setembro foram realizados para servir de "pretexto" à invasão do Iraque e do Afeganistão pelas potências ocidentais. "O 11 de Setembro foi um jogo, visando influenciar as emoções da humanidade, e que não deixaram de ser um pretexto para atacar as regiões muçulmanas e invadir o Iraque e o Afeganistão, matando um milhão de pessoas inocentes", declarou, durante discurso para um congresso de dirigentes religiosos do mundo muçulmano.

O presidente iraniano vem afirmando regularmente desde 2008 que os atentados foram estimulados pelos próprios Estados Unidos, para justificar suas ações posteriores. Ele chegou a ser motivo de reações internacionais ao declarar, durante a Assembleia Geral da ONU em 2010, que o 11 de Setembro foi um "complô orquestrado por alguns círculos no poder americano para relançar uma economia em declínio, reforçar os empreendimentos dos EUA e no Oriente Médio e salvar o regime sionista".

Londres, que foi palco de uma missa na igreja St. Paul para lembrar as 67 vítimas britânicas, também foi lugar de uma manifestação. Cinquenta militantes islamistas queimaram uma folha de papel com o desenho da bandeira americana diante da embaixada dos Estados Unidos.

Eles, que pertencem ao movimento Muçulmanos Contra as Cruzadas, também gritaram frases anti-americanas, tais como "EUA terroristas". A intenção era perturbar o minuto de silêncio para marcar o momento que o avião colidiu com a primeira torre do WTC. A polícia chegou a se aproximar do grupo, mas não houve nenhum outro incidente.

Luta contra terrorismo

Aliado dos Estados Unidos, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, destacou neste domingo que, após os atentados de 2001, o terrorismo ainda representa uma ameaça contra a qual o mundo deve se unir. "Nós estamos engajados nesta luta contra o terrorismo (...). As forças e os regimes islâmicos radicais ameaçam os regimes árabes e muçulmanos moderados", disse.

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Soldado americano faz minuto de silêncio na Embaixada dos Estados Unidos em Cabul, no Afeganistão

Netanyahu afirmou que o terrorismo ameaça "a existência até mesmo do Estado de Israel" e citou o Irã para exemplificar regimes radicais que "visam à instabilidade do Oriente Médio, a segurança de Israel, EUA e Europa". "Esse combate não acabou. Precisamos nos ouvir (...) e agir em conjunto contra este flagelo".

Além do premiê, Shimon Peres, presidente de Israel, escreveu ao presidente Barack Obama - que participa neste domingo de homenagens em seu país -, para expressar sua solidariedade com "o povo americano e as famílias em luto".

O governo do Afeganistão também declarou que "compartilha a dor" pelos atendados e sentem orgulho da aliança formada com o país na luta contra o terrorismo, durante cerimônia na Embaixada dos Estados Unidos em Cabul. "Afeganistão, um país onde gente inocente continua sendo vítima de ataques de terroristas, sentiu a dor de uma maneira muito acentuada naquele fatídico dia", declarou o ministro das Relações Exteriores afegão, Zalmai Rassoul.

O ministro ressaltou que os sacrifícios de ambos na última decada levaram Afeganistão e os EUA a se transformarem em "estreitos" liados na guerra contra "a escória" do terrorismo. "Os afegãos foram capazes de alcançar conquistas na causa da paz, da segurança e do desenvolvimento do Afeganistão", acrescentou.

Os EUA invadiram o Afeganistão com o apoio da comunidade internacional apenas um mês depois do 11 de Setembro, após acusar o regime taleban do mulá Omar, então no poder, de dar cobertura ao líder da Al-Qaeda e autor dos ataques, Osama bin Laden. Atualmente, 133 mil soldados estrangeiros estão em território afegãos, maioria de americanos.

A Otan começou em julho a sair progressivamente do país e a repassar as competências de segurança às forças afegãs. O processo será concluído em 2014 se cumpridos os prazos previstos.

* Com AP, AFP, EFE

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