Ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa
Divulgação/BRB
Ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa

A Procuradoria-Geral da República (PGR)  rejeitou nesta quinta-feira (25) a proposta de acordo de delação premiada do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

O pedido foi negado por Paulo Gonet, procurador-geral da República, porque o acordo não seria muito útil para a investigação por não trazer fatos novos.

Os advogados de defesa haviam informado ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente do BRB tinha interesse em ajudar com as investigações com uma possível delação premiada.

No mesmo documento, a defesa também solicitou a transferência de Costa do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, para outro local que garantisse o sigilo das conversas entre o cliente e seus advogados.

Prisão

O ex-presidente do BRB foi preso pela Polícia Federal em 16 de abril, na quarta fase da Operação Compliance Zero . Ele já havia sido afastado do cargo nas etapas iniciais da investigação por suspeita de permitir operações sem lastro com o Banco Master.

Também há suspeita de que Paulo Henrique Costa tenha recebido benefícios ligados a imóveis de luxo em São Paulo e no Distrito Federal, que somariam cerca de R$ 146,5 milhões. Até agora, a investigação achou pagamentos maiores que R$ 74 milhões relacionados aos imóveis.


Operação Compliance Zero

Paulo Henrique Costa é investigado pela Operação Compliance Zero, que começou em novembro de 2025. A investigação apura a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras, além de suspeitas de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa.

Na fase inicial da operação, foram cumpridos mandados de prisão e busca e apreensão em vários estados. Entre os alvos estava o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master , que chegou a ser preso ao tentar sair do país.

Em janeiro de 2026, a segunda fase da Compliance cumpriu 42 mandados de busca em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, tendo novamente como alvo Vorcaro e parentes. Além disso, o STF autorizou bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens. 

Na terceira fase, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, autorizados pelo ministro do STF, André Mendonça. Daniel Vorcaro, do Banco Master, foi preso novamente, além de outros alvos como Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro, e funcionários do Banco Central.

O colapso do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, abriu uma série de investigações da Polícia Federal e intensificou embates entre o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF). Cerca de 800 mil clientes aguardam o reembolso de investimentos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

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