Congresso Nacional
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A prisão preventiva de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal ( STF ), elevou a temperatura em Brasília entre políticos e não apenas desarticulou um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, mas também detonou um campo de batalha retórico entre parlamentares de diferentes espectros.

A terceira fase da Operação Compliance Zero investiga crimes que vão além do colarinho branco, incluindo corrupção, lavagem de dinheiro e, em um desdobramento que chocou os bastidores, a invasão de dispositivos informáticos de autoridades e ameaças diretas a jornalistas.

O embate de narrativas

As declarações mais categóricas vieram dos relatores das  Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) que já monitoravam os passos do empresário. O deputado Alfredo Gaspar (União Brasil), relator da CPMI do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), foi enfático ao afirmar que a medida reforça os alertas feitos pelo colegiado.

"Por mim Vorcaro estava preso. Quem movimenta bilhões e tem ligação com operações sob investigação precisa responder com transparência e sem privilégios” , declarou o deputado em suas redes sociais.

No campo governista, o deputado Paulo Pimenta (PT) utilizou suas redes sociais para ligar a ascensão meteórica do Banco Master a decisões tomadas durante a gestão anterior, de Jair Bolsonaro, sugerindo um favorecimento institucional que agora precisa ser periciado.


Por outro lado, o senador Alessandro Vieira (MDB) destacou à imprensa que o nível de organização do grupo aponta para uma estrutura de "coerção privada" e que a "atuação é típica de crime organizado de altíssima periculosidade" , o que amplia o escopo das investigações no Senado. Vorcaro foi, inclusive, chamado de "gangster" pelo senador Sérgio Moro (União), que ainda afirmou que o dono do Banco Master agia como líder de uma organização criminosa.

Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) em sua rede social declarou "delata, Vorcaro" . O parlamentar fez uso do jatinho pertencente ao empresário Daniel Vorcaro para cumprir agenda de campanha no segundo turno das eleições presidenciais de 2022, conforme revelado pelo Vai na Fonte , do iG . Em resposta à exposição do caso, o deputado afirmou que ''à época, não tinha conhecimento sobre quem era o proprietário do avião'' . E que sua presença no voo ''se deu exclusivamente em razão do convite para a agenda de campanha, sem qualquer vínculo pessoal, comercial ou institucional com o dono da aeronave'' .

O deputado federal Kim Kataguiri (União) defendeu que o banqueiro faça a delação e que entregue envolvidos no esquema.

A decisão do STF e os dados Sigilosos

A decisão do ministro André Mendonça foi fundamentada na urgência de proteger a integridade de cidadãos e autoridades. Segundo o despacho referente à operação de hoje, o magistrado citou elementos que indicam que Vorcaro teria monitorado ilegalmente jornalistas e autoridades mesmo estando sob medidas cautelares anteriores.

Os valores bloqueados pela Justiça impressionam: ultrapassam os R$ 22 bilhões. A Polícia Federal sustenta que o grupo operava um esquema de venda de títulos de crédito falsos, gerando um rombo bilionário que atinge diretamente fundos de pensão e o sistema financeiro nacional.

A versão de Vorcaro

Em nota enviada a veículos de comunicação, a defesa de Daniel Vorcaro negou categoricamente todas as acusações. Os advogados sustentam que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades e que a prisão é desnecessária.

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