Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, é preso hoje (4), pela PF em Operação em Brasília
Reprodução/LinkedIn/Fabiano Zettel
Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, é preso hoje (4), pela PF em Operação em Brasília

A Polícia Federal ( PF ) deflagrou, na manhã desta quarta(4), a terceira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, preso também esta manhã . A detenção ocorreu em Brasília, em um momento de alta tensão política, coincidindo com depoimento de Zettel e Vorcaro, na Comissão Parlamentar de Inquérito ( CPI ) do Crime Organizado. 

Zettel é apontado pelas investigações como operador de um esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco Master . Segundo a PF, o montante desviado pode chegar a R$ 22 bilhões. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal ( STF ), que também determinou o sequestro de bens e o afastamento de servidores públicos suspeitos de envolvimento - dois servidores do Banco Central.

Segundo a defesa de Zettel, o empresário iria se entregar voluntariamente às autoridades e que colaborará com o devido processo legal, embora a prisão tenha sido efetuada pelos agentes federais antes de qualquer apresentação espontânea.

Reviravolta na CPI do Crime Organizado

A prisão de Zettel e a nova detenção de Daniel Vorcaro — levado pela PF em São Paulo — forçaram o cancelamento imediato das oitivas previstas para hoje na CPI do Crime Organizado . Ambos eram aguardados para prestar esclarecimentos sobre a gestão fraudulenta da instituição financeira e supostas ameaças a jornalistas e autoridades.


O presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT), lamentou a impossibilidade dos depoimentos, porém destacou a eficiência da ação policial. 

"Esse tipo de decisão acaba permitindo que o próprio investigado escolha se quer ou não prestar esclarecimentos à sociedade, uma evidente inversão de papéis", afirmou o senador em nota oficial divulgada pela Agência Senado, referindo-se ao fato de que, horas antes, o STF havia tornado a presença dos investigados facultativa.

O clima no Senado é de monitoramento constante. Enquanto o plenário mantém a pauta de votações, líderes partidários articulam novos requerimentos para que a PF compartilhe os dados colhidos nesta manhã, visando subsidiar o relatório final da CPI.

O esquema e as fontes oficiais

De acordo com notas distribuídas pela PF, o grupo investigado utilizava a comercialização de títulos de crédito falsos e práticas milicianas para garantir a manutenção do esquema. A corporação confirmou que as medidas buscam "interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas".

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