Castro e governo Lula trocaram críticas sobre operação no Rio
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Castro e governo Lula trocaram críticas sobre operação no Rio

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), criticou nesta terça-feira (28) o governo federal pela ausência de apoio em ações contra o crime organizado no estado. Já o Planalto rebateu os ataques do chefe do executivo fluminense.

As declarações ocorreram durante coletiva sobre a Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, que resultou em 64 mortos e 81 presos.

Castro afirmou que o estado solicitou auxílio federal em três ocasiões ao longo do ano, incluindo empréstimo de veículos blindados das Forças Armadas, e teve os pedidos negados.

EntendaMegaoperação contra o CV no Alemão e na Penha deixa 64 mortos

Segundo ele, a União condicionou a ajuda à decretação de uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem), medida que, na avaliação do governador, não foi autorizada pelo presidente Lula.

“Tivemos pedidos negados 3 vezes: para emprestar o blindado, tinha que ter GLO, e o presidente [Lula] é contra a GLO. Cada dia uma razão para não estar colaborando” , declarou.

O governador também disse que o Rio “está completamente sozinho nessa luta hoje” contra o crime organizado e que a operação foi realizada sem blindados ou agentes federais.

Ele acrescentou que o estado está “fazendo a sua parte” e qualificou a ação como uma operação de defesa, além de citar a ADPF 635, decisão do Supremo Tribunal Federal que regula operações em favelas, alegando que ela teria facilitado a migração de traficantes de outros estados para o Rio.

Governo Lula e sua defesa

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, falou sobre o caso do Rio de Janeiro
Reprodução/Youtube
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, falou sobre o caso do Rio de Janeiro


O Ministério da Justiça e Segurança Pública respondeu às críticas, afirmando que mantém apoio contínuo ao estado desde outubro de 2023 por meio da Operação Nacional de Segurança Pública, vigente até dezembro de 2025.

O órgão destacou que todos os 11 pedidos de renovação da Força Nacional foram atendidos e que a Polícia Federal realizou 178 operações no Rio neste ano, 24 delas contra tráfico de drogas e armas.

Segundo o governo federal, as declarações de Castro configuram “tentativa de transferir responsabilidade” e não refletem a integração existente entre as forças de segurança.


Em nota, a União informou ainda que solicitações de blindados precisam ser feitas via Presidência, com a decretação de GLO, procedimento que segue critérios formais estabelecidos.

Assessores do presidente Lula consideram que as declarações do governador têm motivação política e visam antecipar a disputa eleitoral, argumentando que Castro tenta atribuir a Brasília a responsabilidade por ações conduzidas pelo estado.

O Governo Federal também realizou uma reunião na noite de hoje e enviou nota para a imprensa. Confira:

"Na tarde desta terça-feira (28), foi realizada reunião na Casa Civil da Presidência da República para monitorar os desdobramentos da operação policial ocorrida no Rio de Janeiro.

O encontro foi coordenado pelo presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, e contou com a participação dos ministros Rui Costa, Gleisi Hoffmann, Jorge Messias, Macaé Evaristo, Sidônio Palmeira e do secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Manoel Carlos._Durante a reunião, as forças policiais e militares federais reiteraram que não houve qualquer consulta ou pedido de apoio, por parte do governo estadual do Rio de Janeiro, para realização da operação.

O ministro Rui Costa entrou em contato com o governador Cláudio Castro e comunicou a disponibilidade de vagas em presídios federais para receber os presos. Além disso, solicitou a realização de uma reunião de emergência na capital fluminense, com participação dele e do ministro Ricardo Lewandowski, nesta quarta-feira (29)."

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