
Rivaldo Barbosa, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, enviou um bilhete para o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Preso por suspeita de participar da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018, pediu para ser ouvido “pelo amor de Deus”.
Aproveitando o recebimento de um mandado de citação na Peniteniaria Federal de Brasília, o delegado escreveu um bilhete no documento em súplica para ser ouvido pelo ministro. No espaço destinado à assinatura, a Moraes, como informou Felipe Dalleprane, advogado de Barbosa, ao UOL.
Na carta, afirmou que Ronnie Lessa, ex-policial militar, mentiu ao envolver Barbosa na morte de Marielle. Ele nega conhecer os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, respectivamente conselheiro do Tribunal de contas do Rio e deputado federal, e acusados como mandantes do homicídio.
No trecho, lê-se:
“Ao Exmo. Ministro, por misericórdia, solicito que V.Exa. faça os investigadores me ouvirem, pelo amor de Deus…
Aos exmos. ministros, eu nunca falei com esses outros denunciados. O inquérito 901/00266/19 possui provas técnicas da mentira do assassinato da vereadora Marielle e do motorista Anderson. No STJ, há uma decisão de que eu não participe das investigações.”
Não foi o primeiro pedido dele para depor. Há mais de um mês, ele fez um pedido para depoimento, inclusive houve ordem judicial para que acontecesse, mas Moraes não o chamou.
Prisões por morte de Marielle
Barbosa foi preso junto aos Brazão em 24 de março. Todos foram alvo de delação premiada de Lessa, quem confessou matar Marielle e Anderson. O trio é réu no STF por homicídio consumado, homicídio tentado e organização criminosa.
Lessa, em delação, explicou que Barbosa foi primordial para o mando de assassinato feito pelos Brazão. O delegado teria papel de “proteger” os irmãos e garantir que não fossem penalizados pela morte de Marielle.
Na denúncia, o vice-procurador-geral da República Hindenburgo Chateubriand Filho escreveu:
“Acrescente-se que Rivaldo ocupava, ao tempo do planejamento do crime, a função de diretor da Divisão de Homicídios, tendo sido empossado, no dia imediatamente anterior às execuções, como chefe de Polícia Civil. Por isso, o seu aval era parte indispensável do plano elaborado pelos irmãos Brazão. Ele detinha o controle dos meios necessários para garantir a impunidade do crime.”


