Garotinho declarou apoio a Cláudio Castro no Rio de Janeiro
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Garotinho declarou apoio a Cláudio Castro no Rio de Janeiro

O ex-governador Anthony Garotinho (União Brasil) declarou apoio ao governador Cláudio Castro (PL), que busca a reeleição. Em evento realizado neste domingo, no Rio, Garotinho deixou de lado o tom belicoso dos últimos meses, quando chegou a lançar uma pré-candidatura, em oposição a Castro, e se disse "obediente ao partido", antes de elogiar a gestão atual. Nas últimas semanas, no entanto, o ex-governador foi protagonista de embates partidários contra uma ala do União Brasil que insistia no apoio a Castro e se opunha ao seu nome.

Em maio, ele afirmou que as práticas de Castro lembravam muito as do ex-governador Sérgio Cabral, que segue preso. No mesmo evento, a filha de Garotinho, Clarissa (União), foi oficializada como candidata ao Senado. Uma das principais críticas a Castro, ela diz não ver contradição no apoio à candidatura.

"Eu era candidato a governador, mas sou um homem disciplinado, obediente, é uma característica do cristão. Hoje, respeitando o meu partido, estou com Cláudio Castro. Não sou de ficar em cima do muro. Apesar de nossas diferenças, temos que reconhecer que Castro está cuidando com carinho dos nossos programas sociais, como os restaurantes populares", justificou.

Antes disso, em maio, Garotinho criticou "o deslumbramento com o poder" do então adversário.

"Cláudio está se tornando um novo Sérgio Cabral, e se não mudar suas atitudes o fim será o mesmo. O Cabral começou a ser derrubado por pequenas coisas, como a farra de helicóptero, as festas, o deslumbramento com o poder, e o Cláudio está com o mesmo sintoma", disse. 

Na mesma entrevista, ele acusou o governador de não cumprir apoios e criticou o loteamento de cargos no governo. Em mais de uma ocasião, a família Garotinho afirmou que o governador tentou comprar apoio de Vladimir Garotinho, prefeito de Campos, com verba para obras, e o de Clarissa com cargos no primeiro escalão da administração estadual.

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A paz entre os dois, no entanto, passou por interlocuções entre o Palácio Guanabara e o União Brasil, que deu a vaga ao Senado para Clarissa e deixou de apoiar Romário (PL). Em troca desta vaga, dirigentes pediram para que os ataques da família cessassem. Com Garotinho fora da disputa, Clarissa já havia dividido palanque com Castro na convenção do PL, no último domingo, que oficializou Jair Bolsonaro como nome do PL à presidência. De lá para cá, os dois participaram juntos de uma caminhada com Belford Roxo, juntos, e têm reforçado a ideia de uma "chapa bolsonarista" – apesar de Castro ser correligionário de Romário e, oficialmente, apoiá-lo.

Questionada sobre a aliança, Clarissa garante que as diferenças ficaram para trás e diz que as suas críticas não eram ao governador, mas, sim, ao espaço dado no Palácio Guanabara para o ex-secretário Rodrigo Bacellar (PL), rival da família em Campos dos Goytacazes. 

"Papai teve um gesto de grandeza. A decisão de apoiar o Castro foi majoritária, do partido, e respeitamos. Como as demais candidaturas não nos representam, não teria motivo para nos isolarmos. Alguém vai se eleger governador e a nossa neutralidade não faria diferença. Não vejo contradição neste apoio. A minhas críticas sempre foram voltadas para um grupo específico", disse.

Nas redes sociais da candidata, no entanto, é possível ver pelo menos dez críticas a Castro nas últimas semanas. Em uma delas, Clarissa se refere ao agora aliado como "candidato ambidestro, que posa de bolsonarista, mas faz de tudo para não desagradar os amigos petistas". Ela também já o associou a Cabral.

"Pessoas fracas têm uma mente pequena. E gente com mente pequena acha que pode comprar a consciência e o sonho de outras pessoas, oferecendo cargos. Isso é o que está acontecendo no Estado do Rio, com o meu partido sendo constantemente vítima de uma pressão ferrenha feita pelo governador Sérgio… Ih, quase o chamei de Sérgio Cabral. Digo: pelo governador Claudio Castro", ironizou em uma ocasião.

Com o apoio da família Garotinho, Castro chega à disputa com 14 partidos coligados, 1.652 candidatos proporcionais de apoio, além de dois candidatos ao Senado. Em âmbito estadual, a aliança tem o apoio de 86 dos 92 prefeitos fluminenses.


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