O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Edilson Dantas/SP - 14.06.2022
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

O PT prepara uma série de propostas para tentar aproximar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de setores ligados à segurança pública, área vista pela campanha como mais resistente a votar em um candidato de esquerda. Entre as medidas que devem ser apresentadas para a chancela do petista em uma reunião no dia 27 estão a fixação de um piso nacional para os policiais civis e militares, atualização do programa que prevê compra de equipamentos e bolsa de formação a profissionais da categoria, além da recriação do Ministério da Segurança Pública.

Historicamente identificados com políticas de direitos humanos, o PT e a esquerda se afastaram das polícias ao longo dos últimos anos e das pautas de interesse do setor. Nas eleições de 2018, a categoria se tornou uma das principais bases eleitorais de Jair Bolsonaro, que adotou discursos com apelo entre policiais, como a defesa da isenção da pena a agentes que causarem mortes em serviço — excludente de ilicitude — e o armamento da população.

Em uma gafe que ajudou a estremecer a relação com profissionais da área, em maio Lula afirmou em discurso que o presidente Bolsonaro “não gosta de gente, ele gosta de policial”. Um dia depois admitiu o erro e pediu desculpa à categoria. Como não fazia no passado, o PT agora enxerga e entende a necessidade de construir políticas públicas voltadas a uma das bases do principal adversário.

As estratégias do partido para furar a bolha bolsonarista nas polícias envolvem, além das propostas focadas nos policiais, conversas de petistas com associações e entidades que representam a categoria. O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) é um dos emissários que tem feito aproximação com o setor. Na avaliação dele, alguns setores demonstram estar abertos a dialogar e têm boa lembrança dos governos do PT.

"É o Bolsonaro que dá a entender que as polícias são bolsonaristas, mas não é verdade. Entendemos que para uma parcela importante das polícias Bolsonaro é inconsequente e nada entregou a essa categoria", afirma Teixeira, um dos coordenadores do grupo que discute as propostas.

Em discussão, o plano de criar um piso nacional para as polícias é vista com reservas por Teixeira, por depender de viabilidade orçamentária e do caixa dos estados. O grupo que elabora o programa pretende, inclusive, levar governadores e ex-governadores do partido para o encontro do dia 27.

Política pública

Além dos benefícios aos policiais, o PT estuda propostas de integração das polícias nos estados, uma coordenação nacional de metas e estratégias para reduzir índices criminais, um plano de policiamento comunitário e a criação de Territórios da Paz, para levar políticas públicas a áreas conflagradas pelo tráfico e pela milícia. Também deve ser apresentado a Lula a criação de um fundo nacional para financiar a segurança pública.

"É um programa que não tenho dúvida que será um marco do ponto de vista de criar uma nova perspectiva de segurança, com destaque para o grande diálogo com a polícia", afirma Benedito Mariano, integrante do grupo e coordenador das propostas de segurança da pré-campanha de Fernando Haddad ao governo de São Paulo.

Para membros da legenda, o assassinato do guarda municipal Marcelo Arruda, filiado ao PT, por um policial penal bolsonarista em Foz do Iguaçu (PR), no último sábado, deve acelerar um encontro de Lula com policiais que não se alinham ao presidente. A ideia é que o petista adote um discurso de conciliação e aborde as propostas que estarão no plano de governo.

"O poder de fala de Lula pode ser um divisor de águas. Uma coisa é a gente falar de piso único para as categorias, outra coisa é o Lula falar", afirmou o coordenador nacional de segurança pública do PT, Abdael Ambruster.

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