Mesmo com partido contra, Crivella não desisitiu de ser candidato
Valter Campanato/Agência Brasil
Mesmo com partido contra, Crivella não desisitiu de ser candidato

Ex-prefeito do Rio,  Marcelo Crivella (Republicanos) não desistiu de ser candidato ao governo do estado e, depois de receber negativas do diretório estadual do partido, apela aos líderes da Igreja Universal para evitar ser puxador de votos do partido para deputado federal nas eleições deste ano. Na última semana, Crivella externou a sua vontade de ser candidato ao Palácio Guanabara para o bispo Alessandro Paschoal, considerado o “número 1” da Universal para assuntos políticos e sucessor natural do bispo Edir Macedo , fundador da igreja e de quem o ex-prefeito é sobrinho. Diante de mais um “não”, Crivella agora busca um encontro na próxima semana com o bispo Macedo e espera ter o aval para ser candidato a governador.

De acordo com pessoas ligadas ao Republicanos, o ex-prefeito considera o cargo de deputado federal “pequeno” para ele, que também já foi senador e ministro. Quando é contraposto com as projeções internas do partido, que esperam uma votação de até 300 mil votos para deputado, que garantiriam ao Republicanos uma bancada de até 5 parlamentares do Rio em Brasilia, Crivella argumenta que ele garantiria quociente eleitoral similar, caso fosse candidato a governador. Ele também afirma que os votos que receberia seriam retirados dos colegas de partido que, por também serem ligados à igreja, disputariam eleitorado semelhante. Procurado, o ex-prefeito não respondeu aos pedidos por entrevistas.

O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, disse “não estar envolvido” no assunto. Por se tratar do único bispo licenciado da Universal a ter ocupado a prefeitura de uma capital e ser familiar do bispo Macedo, Crivella é visto como um “caso à parte” no Republicanos. As lideranças do partido ligado à igreja Universal não costumam se envolver nos pedidos feitos por ele, que é visto como uma espécie de “liderança”.

Cargos na gestão Castro

Nome do campo da direita com o  apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao estado, o governador Cláudio Castro (PL) teme que Crivella conquiste o eleitorado evangélico. Para evitar que as candidaturas de Castro e Crivella concorram concomitantemente e dividam eleitores, lideranças do PL prometem aumentar o espaço do Republicanos em um eventual próximo mandato do governador, caso o ex-prefeito do Rio desista do Guanabara. Atualmente, o partido ligado à Igreja Universal comanda a Secretaria estadual de Assistência Social e é responsável por nomeações na pasta de Administração Penitenciária.

Esta não é a primeira vez que Crivella compra uma briga contra seu partido para concorrer ao cargo que deseja. Em 2002, ainda no PL, o bispo licenciado se negou a ser candidato a deputado federal e conseguiu ser eleito pela primeira vez para o Senado. Oito anos depois, no PRB, Crivella se negou a ser puxador de votos à Câmara e insistiu na (bem sucedida) reeleição.

Eleito prefeito em 2016, ele foi preso a nove dias do fim do mandato sob suspeita de atos de corrupção na administração municipal . Crivella sempre negou as acusações. No ano passado, o Ministério Público Eleitoral (MPE) enviou à Justiça Eleitoral o pedido de arquivamento de parte do inquérito que o levou à prisão. Ao afirmar que não existia comprovação de prática de crime eleitoral, a promotora Patrícia Tavares pediu que o caso fosse à Justiça comum.

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