Em reunião, PSDB eleva pressão para Doria desistir de candidatura
Reprodução: commons - 08/04/2022
Em reunião, PSDB eleva pressão para Doria desistir de candidatura

Em reunião realizada na noite desta treça-feira em Brasília, a maioria da Executiva Nacional do PSDB decidiu fazer uma investida para tentar convencer o  ex-governador de São Paulo João Doria a abrir mão de sua pré-candidatura à Presidência da República pelo partido. A cúpula da sigla vai chamar o correligionário para um encontro ainda hoje com o objetivo de demovê-lo do projeto de disputar o Palácio do Planalto.

O plano uniu o presidente da legenda, Bruno Araújo, e o deputado mineiro Aécio Neves. Embora sejam contrários à candidatura de Doria, ambos vinham trocando farpas públicas recentemente.

O nó que amarra Doria e grande parte do PSDB passa pelo caminho a ser trilhado pelos partidos da chamada terceira via — PSDB, MDB e Cidadania. As três siglas marcaram para hoje o anúncio do nome que encabeçaria a chapa presidencial apoiada pelo grupo. Doria, porém, dá sinais de que não está disposto a deixar o páreo para apoiar quem quer que seja, mesmo que essa fosse a decisão da maioria do bloco. O ex-governador se fia no fato de o PSDB ter aprovado em prévias o nome dele para representar o partido na corrida pela Presidência.

Diante do impasse, então, a Executiva do partido resolveu agir. Para Bruno Araújo, não é possível “dar nenhum passo” em relação ao candidato único da terceira via sem um “diálogo interno” com Doria.

"Isso passa por um processo de diálogo e construção em que ele (Doria) tenha também a percepção das dificuldade políticas, mas também o poder político que ele tem como pré-candidato", disse Araújo.

Em contraste ao tom cauteloso adotado pelo presidente do partido, Aécio foi mais incisivo nas reais intenções da “convocação” de amanhã. O deputado mineiro é inimigo político declarado de Doria, que já trabalhou, sem sucesso, para expulsá-lo do PSDB.

"(Será) Uma convocação, mais do que um convite, para ouvirmos o governador João Doria. E darmos a oportunidade a ele de ouvir a realidade, que a sua candidatura traz prejuízos aos estados. Dar a ele a oportunidade de sair desse processo. Eu tenho a expectativa ainda de um gesto de desprendimento e grandeza do próprio governador", disse Aécio.

Anúncio adiado

Em outra frente de ação, os tucanos vão trabalhar junto aos caciques de MDB e Cidadania para adiar o anúncio do candidato único da terceira via.

"Não estamos na fase de avaliar qual candidatura deve seguir. A percepção nossa é primeiro ter um diálogo com Doria. E, com a participação dele, chegarmos a um entendimento definitivo que possa unir parceiros como o MDB", justificou Bruno Araújo.

O GLOBO apurou que, ao saber do resultado da reunião ocorrida em Brasília, Doria indicou a aliados que aceitaria se sentar a portas fechadas com um quórum reduzido a dez correligionários: cinco indicados por ele e outros cinco escalados por Araújo.

Antes de deliberar sobre o chamado ao ex-governador para uma reunião, tanto o grupo de Araújo quanto o de Aécio repudiaram a carta, divulgada nesta semana, em que Doria ameaça recorrer à Justiça se não for lançado como candidato do PSDB após ganhar as primárias no ano passado.

Mesmo apoiadores de Doria concordaram que a referida carta, na qual ele se colocava como vítima de um “golpe” foi um “equívoco”.

"Não se discute eleições juridicamente, mas no diálogo, na política", disse o líder do PSDB no Senado, Izalci Lucas (DF).

Na reunião, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que chefia o jurídico da sigla, também se posicionou contrário ao teor da carta. Tanto Sampaio como Izalci apoiaram a candidatura de Doria nas prévias do PSDB.

Aliados de Araújo acreditam, porém, que Doria tende a conseguir decisões favoráveis na Justiça, visto que o estatuto tucano prevê que o vencedor das prévias deve ter sua candidatura homologada na convenção nacional. Nesse cenário, a resposta seria uma asfixia financeira —na prática, um boicote ao ex-governador. Cabe a cada legenda estabelecer os critérios para a distribuição interna dos recursos do fundo eleitoral, desde que cumpridos todos os requisitos definidos pela legislação, como, por exemplo, a cota de gênero de 30%.

"Se a maioria da Executiva decidir não transferir recurso algum para Doria, está decidido, o partido tem essa liberdade", explica o advogado Michel Bertoni, especialista em direito eleitoral , que complementa: "Um eventual “boicote” financeiro só poderia ser verificado a partir do final de julho, quando os partidos devem começar a enviar as regras de distribuição do fundo eleitoral ao TSE. Até que isso ocorra, a sigla fica sem o dinheiro do fundo para campanha".

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