Prefeito de SP mantém distância de Bolsonaro e ainda busca marcar sua gestão
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Prefeito de SP mantém distância de Bolsonaro e ainda busca marcar sua gestão

Seis meses após assumir o comando da cidade de São Paulo, o  prefeito Ricardo Nunes (MDB) ainda luta para se tornar conhecido e buscar uma marca para a sua gestão. Nos 180 dias no cargo, completados ontem, o emedebista cumpriu a promessa de dar continuidade à administração de Bruno Covas (PSDB), morto em maio vítima de um câncer, e fez apenas trocas pontuais no secretariado.

Apesar de o cargo que ocupa ter sido usado no passado como trampolim por políticos que buscavam destaque no jogo nacional, Nunes tem evitado tratar de temas da política federal e mantém distância das polêmicas que envolvem o presidente Jair Bolsonaro, sem adesões ou ataques. Um aliado reconhece que ele ainda está “descobrindo o peso da cadeira que ocupa”. Nem do gabinete oficial do prefeito ele despacha. Segue na sala reservada ao vice e só mudará nos próximos dias.

O prefeito paulistano tampouco pretende se envolver na eleição presidencial. Nunes deve participar do lançamento da pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MS) pelo MDB, mas não terá uma “postura militante”. No começo da gestão, o mundo político levantou a hipótese de que ele se alinhasse com o bolsonarismo em temas comportamentais, já que Nunes é católico praticante. O prefeito não seguiu esse caminho.

Falta de vacina

No fim do mês passado, marcou diferença em relação ao governo federal ao determinar a demissão de servidores comissionados que não se vacinaram contra a Covid-19. O Ministério do Trabalho publicou portaria proibindo a demissão de funcionários não vacinados, mas a prefeitura manteve a sua posição. Nunes classificou medida de “inapropriada e sem sentido”, mas não atacou Bolsonaro.

O emedebista tem procurado acordos com o governo federal. Em julho, Nunes esteve com o presidente em Brasília para negociar o fim da disputa judicial com a União em torno da área do aeroporto Campo de Marte, na Zona Norte da cidade. A prefeitura abriria mão de pleitear a posse do terreno em troca do fim da dívida com o governo federal, pela qual a cidade paga mensalmente R$ 230 milhões.

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Em outra frente, Nunes planeja liderar um grupo de prefeitos da região metropolitana para buscar ajuda financeira para gastos com o transporte público. Um aliado afirma que o plano de Nunes para se tornar conhecido passa pela melhora da situação fiscal para permitir a realização de um grande volume de obras na cidade. Seu foco deve ser a periferia, região onde vive e mantinha a sua base eleitoral no período em que era vereador.

Pesquisas internas mostram que mais de um terço dos paulistanos ainda não conhecem o prefeito. A oposição acusa Nunes de manter dinheiro em caixa de propósito para realizar obras próximas da eleição de 2024, quando pode disputar um novo mandato.

"É um governo que, apesar de ter muito recurso em caixa, não tem realização nem identidade, por incapacidade gerencia", diz o vereador Antonio Donato (PT).

Ainda na avaliação da oposição, o prefeito exagerou na dose no seu projeto de reforma da previdência, aprovado sob protestos na semana passada, que impõe uma alíquota de 14% de contribuição a cerca de 63 mil aposentados que ganham mais que um salário mínimo (R$ 1.100).

"O projeto de reforma da previdência era uma determinação legal. O governo Ricardo Nunes não é contra o servidor, mas teve que tomar uma medida necessária", afirma o líder do governo na Câmara, Fábio Riva (PSDB), para quem a marca da gestão é justamente a continuidade dos projetos de Bruno Covas.

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