Ex-procurador-Geral da República, Geraldo Brindeiro
Reprodução
Ex-procurador-Geral da República, Geraldo Brindeiro

Faleceu nesta sexta-feira aos 73 anos o mais antigo procurador da República em exercício na função, o ex-procurador-geral da República Geraldo Brindeiro. O pernambucano entrou para o Ministério Público na década de 70 e chegou ao posto de procurador-geral em 1995, nomeado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Brindeiro acabou se tornando o mais longevo no cargo. Foi reconduzido por três vezes, até deixar o posto já na gestão do petista Luiz Inácio Lula da Silva, em junho de 2003.

Brindeiro faleceu por conta de uma infecção generalizada decorrente de complicações provocadas pela Covid-19.

Quando assumiu o comando do MPF em 1995, Brindeiro buscou fugir dos holofotes. Queria atuar com discrição para não repetir o antecessor Aristides Junqueira que havia se notabilizado por abrir investigações e até denunciar o então presidente Fernando Collor ao Supremo Tribunal Federal (STF) no começo da década de 90.

Apesar do longo tempo como procurador-geral, Brindeiro tinha dificuldades na relação com procuradores mais jovens que atuavam na primeira instância da Justiça Federal e atuavam à sua revelia.

Leia Também

Em 1999, quando vieram a público gravações clandestinas feitas durante o processo de privatização das teles, episódio em que até o presidente da República foi grampeado, Brindeiro sustentou que não havia como envolver o presidente no caso e que provas ilícitas não poderiam ser usadas para uma apuração.

Em junho de 2001, ao ser sabatinado no processo de sua terceira recondução ao cargo, Brindeiro foi questionado por senadores pelo fato de não ter aberto investigações nas gestões anteriores.

"Repilo essa expressão de engavetador de processos. Nos últimos dois anos fui criticado por não ter contra o presidente, o governador Mário Covas e o ministro José Serra com base no que agora todo mundo admite ser uma farsa: o dossiê Cayman."

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários