O blogueiro Allan dos Santos
Reprodução/ Jovem Pan
O blogueiro Allan dos Santos

A casa onde o blogueiro Allan dos Santos, do canal Terça Livre, morava em Brasília pode ter sido bancada pelo deputado federal e filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). As revelações são da Revista Crusoé.

Em mensagens obtidas pela CPI da Covid às quais a reportagem teve acesso, Allan dos Santos afirmava estar em um "bunker" "pago pelo Eduardo". O local seria a sede de encontros entre apoiadores e filhos do presidente para a discussão de estratégias políticas.

A conversa data de 30 de setembro de 2019, ainda no primeiro ano do governo Bolsonaro. Em um áudio, o deputado Filipe Barros pergunta quando Allan vai a Brasília. Ele responde que já voltou. "Já estou no bunker pago pelo Eduardo. Cade tu? Aparece aqui. Tenho algo grandioso para te mostrar. Sobre a viagem para SP (sic)".

Segundo a revista, a conversa chamou atenção dos investigadores que atuam no inquérito das Fake News. A matéria lembra também de uma entrevista concedida pelo cantor Lobão, também em 2019, ao Catraca Livre. Nela, o ex-bolsonarista afirmava que soube de fontes em Brasília contaram que Allan dos Santos estava morando "em uma mansão no Lago Sul, que o Eduardo Bolsonaro está bancando". Na época, ele não negou.

Allan ocupou o imóvel até deixar o Brasil, em agosto do ano passado. O terreno tem 2 mil metros quadrados, 600 de área construída, seis quartos, salão de festas, piscina, banheiras, mirante, sauna e hidromassagem.

Reuniões quinzenais

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Nas troca de mensagens, Allan também admite a realização de reuniões quinzenais com membros do governo. Em agosto de 2019, ele pede ao "zero três" para que marque um encontro com Gustavo Montezano, presidente do BNDES, e convida o deputado para participar do encontro, indicando que seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro, já havia passado por lá. "Flávio já veio aqui. Falta você", escreveu.

"Alan, hoje estou em São Paulo. Reunião na Fiesp com empresários que têm interesses nos EUA", disse o deputado. Allan respondeu. "Daqui a quinze dias teremos outra [reunião]. Fala para o Gustavo ir. Do BNDES. Se ele estiver por aqui". Eduardo pediu a data para que pudesse "bloquear a agenda".

Outros membros do governo que tiveram indiciamento proposto pela CPI da Covid também aparecem entre os convidados para os encontros, como Fabio Wanjgarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência, e membros do primeiro escalão bolsonarista, como os deputados Bia Kicis e Caroline de Toni, Filipe Barros, Felipe Francischini e Luiz de Orleans e Bragança.

Nos relatórios da PF constam também uma consulta feita por Allan junto a Olavo de Carvalho sobre os "limites" da ajuda financeira que poderia receber do governo. A anotação trazia uma transcrição da conversa. "Perguntei: Professor, qual o limite para o TERÇA LIVRE receber aporte financeiro do Governo? Olavo: NENHUM", escreveu.

Segundo a Crusoé, Allan não retornou aos contatos da reportagem. Renor Oliver, advogado do Terça Livre, afirmou que não teve acesso à investigação da PF e que não tem procuração para responder pelo blogueiro como pessoa física.

Eduardo e Flávio Bolsonaro não se manifestaram. Fabio Wajgarten negou a participação em qualquer reunião organizada na casa do blogueiro.

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