Pedro Serrano, Kakay e o apresentador João Vitor Revedilho no 'Último Segundo Em Cima do Fato'
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Pedro Serrano, Kakay e o apresentador João Vitor Revedilho no 'Último Segundo Em Cima do Fato'

O professor Pedro Serrano, especialista em Direito Constitucional, afirmou que apenas a união entre as lideranças políticas dos mais diversos posicionamentos pode defender a democracia no Brasil. Ao lado do colunista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, na segunda edição do 'Último Segundo Em Cima do Fato', Serrano apontou os riscos que o país sofre sob o comando de Jair Bolsonaro (sem partido).

"O Kakay lembra bem que o ministro Lewandowski [do Supremo Tribunal Federal] fez um artigo muito generoso conosco, com a cidadania essa semana na Folha de S.Paulo. Mas não podemos depender como sociedade apenas da generosidade, quase heroísmo, de ministros como Lewandowski. Nós precisamos que os nossos líderes políticos se unam para defender a democracia. Ela esta sob ameaça. É preciso que eles tenham o mínimo de generosidade de abandonar um pouco a lógica da disputa de poder para ir a política em defesa da democracia unidos, para mostrar força, firmeza, essa é que é grande questão que temos hoje. O governo é isso que estamos vendo aí, essa ameaça explícita e violenta à democracia", disse.

Segundo Serrano, a construção de uma espécie de frente de oposição ao governo não necessariamente construiria novas alianças para o pleito do ano que vem.

"Precisamos pressionar os líderes da oposição para que atuem juntos em defesa da democracia, o que não implica em qualquer tipo de unidade em 2022. Lá é outra coisa. Eu , por exemplo, sou a favor de uma frente progressista, cada um vai ter sua proposta, é outra questão. Para poder garantir 2022, precisamos dessa conduta. E como sociedade, temos que cobrar.
Nao adianta deixar só o supremo com a tarefa da defesa da democracia porque o supremo não tem armas para poder realizar a defesa de forma eficiente. É óbvio que é muito valorosa a conduta do Supremo, mas se dependermos só disso, não vamos nos dar bem. A democracia vai correr grave risco. Insisto - Lula, FHC, os líderes políticos ao centro, os mais à esquerda, Ciro Gomes, etc, se unam em favor da democracia", completa.

Para Kakay, a democracia se mantém em risco no Brasil enquanto o presidente Bolsonaro se mantiver no poder.

"Esse presidente tem tão pouca credibilidade que estamos cansados da ameaça e isso não pode acontecer. Temos que continuar alertas. Ele vai para aquele cercadinho, e frequentemente ofende as pessoas, as instituições, e nós, de certa forma, ficamos amortecidos como se estivéssemos acostumados. Não podemos acostumar. A democracia está permanentemente em risco enquanto esse cidadão for presidente da República. Cabe a nós fazer essa resistência democrática, cabe especialmente ao Congresso ocupar o espaço que é dele, e claro, ao STF, que tem dado sua contribuição a uma tentativa de manter o equilíbrio democrático", opina.

"Não podemos nos acostumar com as ofensas diárias. Um homem despreparado, que vive desse tipo de provocação. É necessário que estejamos em permanente vigília pela democracia e pelo fortalecimento dos poderes. Inclusive os poderes executivos dos estados, apoiando governadores que fazem uma resistência democrática. A democracia precisa que o debate seja feito de forma permanente, e que não nos acostumemos com os desarranjos propostos por esse presidente golpista, irresponsável, que sabe que está chegando no linear do desespero, e que sabe que em muito pouco tempo, terá que prestar contas - ele, auxiliares e a família - ao poder judiciário, pelos inúmeros desmandos e crimes que fizeram", conclui.

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