Polícia Militar
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O coronel da reserva Glauco Carvalho, 55, ex-comandante da PM em São Paulo, concedeu uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, na qual falou sobre a ligação entre o Bolsonarismo e a instituição. Na ocasião, ele afirmou que tal ideologia tenta destruir os valores da corporação e disse o que pensa sobre a punição ao colega militar que convocou ato político para o dia 7 de setembro: "pouco para conter a balbúrdia".

"Ele é meu amigo e foi meu aluno no Curso Superior de Polícia. A despeito disso, fico com a lei e com os princípios de minha instituição. Ele tem de ser punido sob o ponto de vista administrativo e sob o ponto de vista penal militar. Senão, vamos instalar a balbúrdia na instituição. Fosse em outras épocas, ele estaria preso hoje ou amanhã para dar exemplo para a tropa", disse o coronel. 

Seu amigo, o coronel Aleksander Lacerda, foi afastado do cargo na última segunda-feira, 23, após convocar ato política em favor do presidente, criticar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e chamar o governador João Doria (PSDB) de “cepa indiana”. 

"É preciso diferenciar oficial da ativa do oficial da reserva. O da reserva, até certos limites, pode se manifestar, ter vida partidária. O da ativa tem limitações severas em decorrência do papel na sociedade e por ele portar armas. Tratando-se de um oficial da ativa, o fato é de gravidade extrema", argumentou o coronel na entrevista.

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Sobre a entrada do bolsonarismo na corporação, o coronel disse que o problema, na verdade, não é haver um descontentamento ou a presença de uma ideologia, mas o uso disso para colocar em risco a democracia.

"Existe um descontentamento grande nos últimos anos em relação ao PSDB, assim como houve das Forças Armadas com o governo Lula. O descontentamento é legítimo e legal. O que não é legal é você pregar ações que fogem ao limite do legal e ao ordenamento jurídico, que podem colocar em xeque o estado democrático de direito", disse.

Ainda assim, na sua opinião, o Bolsonarismo é um grande problema na instituição, por insuflar os policiais e tentar destruir os valores da PM: "O bolsonarismo usa de todos os instrumentos para instalar o caos. Veja o Eduardo Bolsonaro. Ele usou o fato de PM ter o pior salário do Brasil e o uso de câmeras pelos policiais para que os PMs se insurjam contra o Doria. Ele usa um instrumento que vai mudar a PM em dez anos – o uso de câmeras – para criar clima de insubordinação. O bolsonarismo não tem institucionalidade, ele não tem limites, e tenta destruir todos os valores da instituição. É o que tem de mais indecente na vida pública do País".

- Com informações de O Estado de S. Paulo.

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