Mesa diretora da CPI da Covid: Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Omar Aziz (PSD-AM) e Renan Calheiros (MDB-AL)
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Mesa diretora da CPI da Covid: Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Omar Aziz (PSD-AM) e Renan Calheiros (MDB-AL)

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 retomou os trabalhos investigativos no Senado Federal na última terça-feira, 03. Já chamado, nos bastidores, de “segunda temporada da CPI” o novo período, após o recesso parlamentar, deverá ser utilizado pelos senadores para investigar negociações irregulares, com supostos casos de corrupção e pedido de propina, para compra de vacinas.

Nesta semana, as sessões de depoimentos ocorreram de terça a quinta-feira. Foram ouvidos o reverendo Amilton Gomes de Paula, o ex-assessor de ministério da Saúde Marcelo Blanco e o também ex-assessor e braço direito de Eduardo Pazuello em sua gestão Airton Soligo.

Confira os principais destaques:

Terça-feira, 03
O primeiro a depor nesta semana foi o  reverendo Amilton Gomes de Paula , que é fundador da ONG Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários) e apontado como intermediador da negociação irregular de doses da vacina AstraZeneca entre a empresa  Davati Medical Supply e o Ministério da Saúde.

Na negociação de 400 milhões de doses do imunizante, um dólar de propina teria sido pedido por dose. O caso envolve outros nomes que já deporam na CPI da Covid como  Roberto Ferreira Dias , ex-diretor de logística do ministério, e o policial militar (PM)  Luiz Paulo Dominghetti .

Reverendo Amilton Gomes de Paula na CPI da Covid
Jefferson Rudy/Agência Senado
Reverendo Amilton Gomes de Paula na CPI da Covid

Em seu depoimento, o reverendo Amilton Gomes de Paula admitiu ter culpa nas supostas irregularidades das negociações e chegou a chorar e pedir perdão ao Brasil, aos senadores, deputados e a Deus  (clique no link para ver o vídeo do momento).

"Eu tenho culpa, sim. Hoje de madrugada, antes de vir para cá, eu dobrei meus joelhos e orei. Eu peço desculpas ao Brasil e o que eu cometi não agradou primeiramente os olhos de Deus", disse Gomes de Paula. Segundo o reverendo, ele teria sido autorizado pelo Ministério da Saúde a negociar vacinas da Covid-19 em nome do governo brasileiro.

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Quarta-feira, 04
O segundo a depor nesta semana foi o "Coronel Blanco" , já citado diversas vezes durante as investigações da CPI, nos depoimentos de outras pessoas. O ex-assessor do ministério da Saúde Marcelo Blanco, que também é dono da empresa Valorem Consultoria em Gestão Empresarial, foi apontado por envolvimento no mesmo caso do reverendo Amilton.

Blanco participou de um jantar com o PM Luiz Paulo Dominghetti e com o ex-diretor da Saúde Roberto Dias no qual o pedido da suposta propina foi colocado e combinado. Blanco disse ter saído mais cedo do jantar, porque queria assistir a um jogo de futebol em casa, e, por isso, não teria presenciado a conversa sobre a propina.

Ex-assessor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, tenente-coronel da reserva Marcelo Blanco da Costa
Divulgação/Agência Senado/Leopoldo Silva
Ex-assessor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, tenente-coronel da reserva Marcelo Blanco da Costa

Durante a sessão da quarta, o deputado Stephanes Junior (PSD-PR) fez diversas ofensas aos senadores membros da comissão  (clique no link para ver o vídeo do momento). A CPI foi temporariamente suspensa e o deputado foi conduzido pelos oficiais do Senado.

Quinta-feira, 05
Por fim, o ex-assessor do Ministério da Saúde, braço direito do então ministro Eduardo Pazuello, o empresário Airton Soligo, conhecido como "Cascavel" , foi quem depôs. Ele deu início ao seu depoimento defendendo a vacinação contra a Covid-19, o uso de máscaras e o distanciamento social como caminho para acabar com a pandemia.

Pela proximidade com o ministro, durante sua época de atuação na pasta, ele foi questionado sobre diversos casos de compras de vacinas. Os senadores perguntaram sobre ele supostamente ser o "ministro político" da saúde. "Quem mandava e quem obedecia?", questionou o relator Renan Calheiros (MDB-AL). Soligo alegou ser apenas um funcionário e que, por identificar que poderia ajudar, atuava em alguns casos.

Airton Soligo na CPI da Covid
Divulgação/Agência Senado/Pedro França
Airton Soligo na CPI da Covid

Dentre os casos citados, o ex-assessor atendeu demandas de senadores que lhe procuraram, pedindo recursos e equipamentos para seus estados relacionados à pandemia da Covid-19. A senadora Simone Tebet (MDB-MS) apontou um comportamento criminoso de Soligo ao fazer isso antes de ter assumido o cargo no ministério. Nos bastidores, fala-se que Soligo queria usar o cargo para lançar-se politicamente em 2022.

Segundo Cascavel, ele também foi responsável por pacificar a relação entre o Instituto Butantan, produtor da vacina CoronaVac no estado de São Paulo, e o Governo Federal. Em seu depoimento, ele alegou que o problema na compra da Coronavac foi a "politização" dessa vacina. Questionado sobre quem politizou, Cascavel disse que não podia afirmar nada . Na sequência, os senadores lembraram os discursos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra a vacina do Butantan.

Soligo também afirmou que "picaretas" tentaram vender vacinas para o Ministério da Saúde diversas vezes durante a pandemia.

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