Ciro Nogueira (PI)
Agência Brasil
Ciro Nogueira (PI)

O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do voto impresso, Filipe Barros (PSL-PR), disse ao GLOBO nesta segunda-feira que traçará uma estratégia com o  novo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, para tentar aprovar seu parecer em comissão especial. Em cenário desfavorável ao governo, partidos de centro e independentes, como PSD, MDB, PL, DEM e PSDB, estão prontos para enterrar o projeto apoiado por Jair Bolsonaro.

A intenção dos partidos é rejeitar o parecer e mandar um recado a Bolsonaro, que condicionou a realização das eleições em 2022 à implementação do voto impresso. Parlamentares afirmam que o Congresso não aceitará ameaças deste tipo. A sessão para a votação do relatório está marcada para quinta-feira.

Barros desembarcou em Brasília nesta segunda-feira para conversar com líderes e o ministro da Casa Civil. Ele aposta no fortalecimento da base para virar o jogo. Hoje, segundo governistas, há a necessidade de se conquistar pelo menos cinco votos para mudar o placar.

"Vou até lá (conversar com Ciro) porque hoje há uma reconfiguração do governo, tem um fortalecimento da base. Um dos projetos de interesse do governo é o voto impresso. Combinamos de nos encontrar para traçar uma estratégia. Vou explicar o meu substitutivo e ver como podemos trabalhar", disse Barros.

Antes do recesso parlamentar, o governo já havia cooptado o PP, partido de Ciro Nogueira, e o Republicanos. Agora, o próximo alvo é negociar com o PL, de Valdemar Costa Neto, e forçar dissidências em outras legendas. Em movimento organizado por 11 siglas no mês passado, Valdemar foi um dos presidentes de partido que emparedou o governo. Na ocasião, ordenou a indicação de nomes contrários à proposta para a composição da comissão.

Antes do recesso parlamentar, governistas conseguiram adiar a votação do parecer com uma manobra regimental. Filipe Barros diz que ainda deve alterar pontos do seu texto para adequá-lo a demandas de colegas. Deputados ouvidos pelo GLOBO, porém, acreditam que não há mudança na redação que possa alterar a correlação de forças. A questão passou a ser política, um gesto em defesa das eleições.

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"Se o presidente quisesse aprovar antes, em 2019, não tinha dificuldade. O presidente fala para fora, e não para os deputados. Se botar para votar o parecer na quinta, o governo vai ser derrotado. O presidente Bolsonaro quer puxar esse assunto para não debater os outros temas. A partir do momento em que ele pauta o tema, ninguém discute desemprego, volta às aulas, vacinação. Isso é pra desviar o assunto. Nem ele quer o voto impresso, é só pra dar o discurso", diz o vice-líder do MDB e integrante da comissão, Hildo Rocha (MA).

Parlamentares relatam que ainda não viram resultado na ação do governo para virar o jogo.

"Pelo que conversei com os deputados contrários ao relatório, nenhum deles mudou de opinião. Ainda que haja manobra regimental na quinta-feira para atrapalhar a votação, acho que será rejeitado. O ambiente já está contaminado pela forma pouco republicana com que o presidente conduziu o debate. Os presidentes de partido já bateram o martelo e deve mesmo ser rejeitado", diz Fabio Trad (PSD-MS).

A oposição também já se mobiliza para tentar evitar qualquer tipo de manobra regimental.

O que eles fizeram no último dia antes do recesso foi surreal. Temos que estar atentos para o que vão tentar fazer e impedir", diz Fernanda Melchionna (PSOL-RS).

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