Ricardo Salles
O Antagonista
Ricardo Salles

Entidades e ex-ministro comemoram a saída de Ricardo Salles do comando do Meio Ambiente . No entanto, eles não acreditam que haja qualquer mudança na orientação das políticas ambientais do país sob o comando de Joaquim Álvaro Pereira Leite, que já ocupava o cargo de Secretário da Amazônia e Serviços Ambientais na pasta.

Em nota, a WWF afirmou que o governo troca "seis por meia dúzia". A ONG afirma que Álvaro Pereira chegou ao governo em 2019 a promessa de atrair recursos para a área ambiental, por meio de programas de Pagamento por Serviços Ambientais e venda de créditos de carbono por desmatamento evitado.

"Mas quem investiria num país que fecha os olhos às ações de criminosos e, por essa razão, vê o desmatamento explodir?", questiona a nota. "Não há, por ora, motivos para alimentar a esperança de que ele poderá fazer muito diferente de seu antecessor. A saída do pior ministro do meio ambiente da história não significa necessariamente mudança para melhor, pois é notório que a origem dos problemas se encontra no Palácio do Planalto", diz o texto.

Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente, avalia que Salles "foi tarde", mas que seu afastamento do ministério não é suficiente."Há que tomar med idas como desatar braços do Ibama e do ICMBio, destravar o Fundo Amazônia, retirar garimpeiros ilegais de terras indígenas e combater as queimadas e o desmatamento, que aumentarão com a estação seca".

Marina Silva, que também comandou a pasta, comemorou o pedido de demissão de Salles: "Já era pra ter saído há muito tempo. Vai tarde, depois de ter causado inúmeros prejuízos às florestas, aos povos indígenas, aos interesses do Brasil, de ter desmontado a governança ambiental brasileira. A gente sabe que ele era o operador ambiental do Bolsonaro, que a causa de tudo isso é o presidente da República. Mas sua saída é uma conquista da sociedade brasileira".

Para Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, Salles só deixará saudades para "os madeireiros ilegais, grileiros e destruidores da floresta":

"Salles sai assim como entrou: devendo para a Justiça. Recuso chamá-lo de ex-ministro do meio ambiente, porque nunca o foi, não merece tal título", diz. "Seu legado foi ajudar a arrasar com a imagem internacional do país, aumentar em 46% o desmatamento da Amazônia e sucatear as agencias de fiscalizaçao ambiental", avalia. "Mas não podemos esperar que as coisas melhorem muito. Neste momento, Bolsonaro deve estar procurando alguem que faça exatamente o mesmo serviço prestado por Salles ate agora: destruir a proteção ambiental do país"

O Observatório, que reúne 56 organizações da sociedade civil, reforçou que a "antipolítica ambiental que tornou o Brasil um perigo para o mundo não apenas não muda".

"O agora ex-antiministro do Meio Ambiente deixa um legado sombrio: dois anos de desmatamento em alta, dois recordes sucessivos de queimadas na Amazônia, 26% do Pantanal carbonizado, omissão diante do maior derramamento de óleo da história do Brasil, emissões de carbono em alta e a imagem internacional do país na lama. Para não dizer que só destruiu tudo, Salles acrescentou uma expressão ao léxico do português brasileiro: 'boiada' como sinônimo de destruição ambiental."

Em nota, o Greenpeace afirmou que o país não poderia ter mais à frente o Ministério do Meio Ambiente alguém que, "de forma intencional de deliberada, agia contra a própria pasta e estava trazendo grandes danos ao país". A ONG, porém, pondera que a troca do titular da pasta não garante que o governo mudará seu "projeto antiambiental nefasto":

"Por um lado, a sociedade civil recebe com alívio o pedido de demissão do ministro, após diversas investigações de desvio de finalidade de sua função, confirmando aquilo que vem sendo denunciado desde o início de seu mandato. Por outro, é evidente que a troca de peças por si só não deve mudar a estratégia do governo, agora com o novo ministro Joaquim Álvaro Pereira Leite, antigo membro da Sociedade Rural Brasileira (SRB), até então subordinado de Salles e aliado aos interesses do agronegócio".

O Greenpeace acrescentou que a saída de Salles foi "tardia, mas necessária":

"Entretanto, a estratégia do governo para a agenda ambiental não deve mudar e, de mãos dadas com o Legislativo, vão seguir tentando avançar na desregulamentação da proteção ambiental e dos povos indígenas".

Você viu?

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários