Tercio Arnaud Tomaz e o presidente Jair Bolsonaro
Reprodução/redes sociais
Tercio Arnaud Tomaz e o presidente Jair Bolsonaro

A Polícia Federal colheu depoimentos, no âmbito do inquérito dos atos antidemocráticos , que revelam que o assessor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Tercio Arnaud Tomaz , apontado como líder do chamado Gabinete do Ódio, repassou vídeos do presidente para os responsáveis pelo canal do Youtube Foco do Brasil, alvo de mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal) .

Em depoimento à PF, Tercio confirmou o envio sistemático de vídeos para o canal Foco Brasil , que tem mais de 2,3 milhões de inscritos. "O declarante durante viagens, eventos ou entrevistas do Presidente da República realiza (ou recebe) pequenas filmagens que possam ser distribuídas para canais ou mídia tradicional, situação que abarca o canal FOCO DO BRASIL", diz o relatório da PF.

Segundo o UOL, o dono do canal Anderson Azevedo Rossi e Cleitomar Basso também confirmaram a informação. De acordo com as investigações, entre março de 2019 e maio de 2020 Rossi recebeu US$ 307.042,14 —o equivalente a mais de R$ 1,54 milhão com a cotação da moeda americana hoje (7) —apenas com a monetização de vídeos no Youtube. Ele também afirma em depoimento que seu faturamento mensal varia entre R$ 50 mil e R$ 140 mil .

Rossi afirmou, em seu depoimento, que recebia vídeos diretamente de Tercio, que acompanha as agendas presidenciais na condição de servidor público comissionado. "Também recebeu, por meio do aplicativo WhatsApp, vídeos do presidente Jair Bolsonaro, do Sr. Tercio, que seria assessor do presidente Jair Bolsonaro", consta em trecho do relatório feito pela PF sobre o depoimento do dono do canal.

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Rossi revelou ainda ter obtido o contato direto de Tercio diretamente através da " assessoria da Presidência da República ".

Já Cleitomar Basso informou à PF que "os vídeos apresentados no jornal são disponibilizados publicamente pela agencia Brasil, pelo próprio Presidente da República, entre outras fontes jornalísticas e de personalidades públicas".

"Gabinete do Ódio"  é o nome dado a um grupo de assessores que trabalham no Palácio do Planalto com foco nas redes sociais, inclusive na gestão de páginas de apoio à família Bolsonaro que difundem desinformação e atacam adversários políticos do presidente. Além de Tercio, são apontados como integrantes do grupo os assessores palacianos José Mathes Salles Gomes e Mateus Matos Diniz.

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