O ex-secretário-executivo Ministério da Saúde Elcio Franco
Júlio Nascimento/Presidência
O ex-secretário-executivo Ministério da Saúde Elcio Franco

Número dois do Ministério da Saúde durante a gestão do general Eduardo Pazuello , o coronel do Exército Elcio Franco informou à Pfizer, em um e-mail encaminhado em novembro do ano passado, que enfrentava problemas para analisar a proposta do laboratório para venda de vacinas contra a Covid-19 ao governo brasileiro devido a um vírus na rede de computadores da pasta, informou o portal G1.

A cópia do e-mail foi enviada à CPI da Covid e obtida pela TV Globo. Em novembro, o Ministério da Saúde disse ter encontrado indícios de que os sistemas da pasta tinham sido alvos de ataques cibernéticos. Houve intermitência e até queda nas bases de dados da pasta. O secretário disse não ter recebido os anexos com dados logísticos sobre a vacina.

“Informo que, em virtude de um problema de vírus em nossa rede do Ministério da Saúde, estamos com uma série de dificuldades de conexão em rede e abertura de e-mails, o que dificultou ou até impediu o acesso aos arquivos enviados até a presente data, assim como sua respectiva análise”, escreveu Franco em 10 de novembro do ano passado.

Elcio Franco foi convocado para depor na CPI. O depoimento estava marcado para a próxima quinta-feira, mas foi adiado para 8 de junho porque o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde se recupera de infecção por Covid-19. Atualmente assessor especial da Casa Civil, Elcio Franco pediu para ser representado pela Advocacia-Geral da União na CPI, o que não deve ser negado. Com o tempo extra, ele também poderá solicitar ao Supremo Tribunal Federal o direito de ficar em silêncio.

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Em 11 de novembro, um dia após Franco responder à Pfizer que enfrentava problemas nos computadores, o presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo, enviou oferta atualizada de vacinas ao governo brasileiro. A comunicação aconteceu depois de Murillo ter conversado, por intermédio do então secretário de Comunicação Fabio Wajngarten, com o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, por telefone. À CPI, Wajngarten disse que intermediou o diálogo porque soube que a farmacêutica estava desde agosto sem resposta.

As mensagens enviadas pela Pfizer ao governo, entregues à CPI, mostram que a empresa alertou que doses de vacina reservadas ao Brasil seriam distribuídas a outros países se não houvesse resposta. Conforme o blog de Valdo Cruz, no G1, o último foi em 24 de novembro, quando a Pfizer deu prazo até 7 de dezembro. O acordo só foi fechado com o governo brasileiro em fevereiro.

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