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Reprodução/Twitter
Marcelo Crivella (Republicanos) é o atual prefeito do Rio de Janeiro

Responsável pelo marketing da campanha eleitoral vitoriosa de Eduardo Paes (DEM) à Prefeitura do Rio este ano, o economista Marcelo Faulhaber foi denunciado pelo Ministério Público (MP) do Rio à Justiça e virou réu no mesmo processo que levou o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) à prisão nesta terça-feira.

Antes do trabalho para eleger Paes, iniciado há dois anos na empreitada sem êxito pelo governo do estado, Faulhaber atuou para emplacar a candidatura municipal de Crivella em 2016 e, depois, passou a atuar informalmente nos bastidores da gestão carioca.

Embora não tenha tido a prisão preventiva decretada, como aconteceu com Crivella e outros denunciados, Faulhaber está proibido de manter contato com os réus do processo em questão e não pode acessar as sedes da Prefeitura e das secretarias. A medida cautelar foi determinada pela desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita a pedido do MP. A magistrada é relatora da causa no Tribunal de Justiça (TJ) do Rio.

Na denúncia oferecida ao tribunal e obtida pelo GLOBO, o MP afirma que Faulhaber ocupou "o assento logo abaixo" aos do empresário Rafael Alves, do ex-tesoureiro Mauro Macedo e do ex-senador Eduardo Benedito Lopes.

O trio, mesmo sem ocupar cargos oficiais na administração do Rio, teria atuado com a concordância de Crivella para "defender os interesses dos empresários que aderiram à organização criminosa" identificada como "QG da Proprina", alvo do inquérito que levou o prefeito à prisão a nove dias antes do fim do mandato.

Para o MP, Faulhaber "não apenas atuou como responsável pelo marketing da campanha eleitoral de Marcelo Crivella, bem como aderiu à organização criminosa e passou a atuar direta e pessoalmente na cooptação e aliciamento de empresários para a participação nos vários esquemas de corrupção".

Em setembro, Faulhaber foi alvo de busca e apreensão em uma operação que coletou provas relativas ao caso e que também mirou Crivella e os outros investigados.

Entre as provas que embasam as acusações do MP contra Faulhaber, promotores mensagens trocadas entre o economista e o empresário Rafael Alves entre junho de 2017 e setembro de 2018. No período, ambos trocaram 11,2 mil mensagens por WhatsApp.

Em parte delas, Faulhaber reclamava com Rafael Alves por não ter recebido o valor combinado por consultorias prestadas à equipe de transição de Crivella, em 2016, e ameaçava procurar o MP para revelar supostas informações comprometedoras a respeito da gestão do prefeito. Rafael Alves é irmão de Marcelo Alves, que comandou a Riotur, empresa pública de turismo do Rio, durante parte do mandato de Crivella.

Antes da atuação junto a Crivella, Faulhaber já tinha integrado a gestão de Paes em 2010, em uma passagem pela pela subsecretaria da Casa Civil de Paes com uma saída conturbada. Paes, então prefeito, disse numa entrevista para a revista “Época” que havia demitido o economista porque ele não impediu um esquema de corrupção. Faulhaber rebateu, disse que era preciso provar a acusação e o caso nunca foi esclarecido em detalhes.

Atuação discreta, mas determinante

Apesar de ter sido alvo de uma operação a dois meses da eleição, Faulhaber foi mantido na equipe de Paes num cálculo político do candidato. Além de ambos terem trabalhado juntos há dois anos, na campanha de Paes pelo governo do estado, Faulhaber é tido como alguém que conhece os detalhes da atuação política de Crivella, adversário de Paes no segundo turno do pleito deste ano.

Foi do marqueteiro a ideia de chamar o atual prefeito, preso hoje, de "pai da mentira", em referência a um versiculo bíblico que dialoga com a base eleitoral de Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal.

Desde que a Polícia Civil fez buscas em seu endereço, Faulhaber passou a atuar discretamente ao lado de Paes. Aliados do então candidato chegaram a afirmar que o marqueteiro teria deixado a campanha, o que não se confirmou.

Conforme O GLOBO mostrou em novembro, o economista acompanhou Paes em debates e, no segundo turno, chegou a ser visto diante das câmeras da Band enquanto usava boné, óculos e um casaco com capu para orientar o cliente num intervalo do diálogo com Crivella. Na ocasião, Faulhaber negou que buscasse passar despercebido.

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