Ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad
Ricardo Stuckert
Ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad

Visto como um plano B caso o ex-presidente Lula não possar ser candidato à Presidência em 2022, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) avalia que ainda é "prematuro", dizer que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) corre risco de não ser reeleito daqui a dois anos. Apesar disso, ele reconhece que o eleitorado se voltou mais à direita e diz que é "impressão" que Bolsonaro tenha saído mais fraco das eleições municipais.

"Houve um deslocamento do eleitorado para a direita e para a extrema direita, mas menor do que eu esperava. O que coincide com um período em que o bolsonarismo não está tão mal avaliado, com aprovação na casa de um terço. E obviamente isso tem muito a ver com o regime fiscal do combate à pandemia, foi despejado muito dinheiro na economia —contrariando o próprio governo, que queria investir muito menos", disse Haddad em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo .

"Os próximos dois anos estão envoltos em indeterminações, porque o ano de 2020 foi atípico. Foram investidos quase meio trilhão de reais para sustentar a economia numa situação dramática", completou o petista.

Ao comentar sobre a atribuição de que o PT seja um partido radical, estratégia utilizada pelos seus adversários para minar os votos dos candidatos da legenda. Haddad diz que isso foi uma "técnica de comunicação", e não uma "definição" do partido.

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"Qualquer cientista político sabe que o PT é um partido de centro-esquerda, sempre foi tratado dessa maneira. Se o jogo político fosse limpo, continuaria sendo tratado assim. Faz parte da narrativa desses partidos de ter escolhido um extremista em 2018. É um pouco para limpar o currículo, dizer que estavam entre dois extremos, mas isso é uma fantasia, é pouco verossímil", afirmou.

Na avaliação do ex-prefeito o PT também não perdeu, mas ficou "do mesmo tamanho". "O PT teve um número um pouquinho maior de votos do que em 2016 —nos grandes centros, justamente onde o bolsonarismo teve aumento de rejeição. O PT decresceu nas pequenas cidades, onde o auxílio emergencial faz muita diferença. Tudo somado, o PT ficou do mesmo tamanho", disse.

Em 2012, o PT conquistou 652 cidades em 2012, contra 256 em 2016. Este ano, os municípios que tiveram candidatos do PT eleitos foram 183.

"O PT teve um desempenho melhor nas médias e grandes cidades e perdeu apoio nas pequenas, ficou do mesmo tamanho. O que frustrou as expectativas, já que o partido imaginou que fosse recuperar pelo menos uma parte do que perdeu em 2016", afirmou.

Questionado se o PT errou, Haddad disse que "pode ter havido em campanhas específicas, mas um erro geral, não". Já sobre a candidatura de Jilmar Tatto na capital paulista, ele afirmou que era "difícil" o partido não ter um candidato. "Achava difícil o PT, que governou a cidade em três mandatos, não lançar um candidato. Sempre vai haver essa discussão. Recife, São Paulo e Rio vão ser discutidos futuramente sobre a condução da direção do partido."

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