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Alan Santos/PR
Ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos , virou o novo alvo do núcleo ideológico do Palácio do Planalto e dos filhos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) após o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles , dizer nesta sexta-feira (23) que Ramos tem uma postura de "maria fofoca".

O comentário foi feito pelo chefe da pasta em uma publicação em seu perfil oficial no Twitter, mas a declaração foi apagada logo em seguida. Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo , essa é uma estratégia para que o general seja afastado da Secretaria de Governo. Antes dele, Carlos dos Santos Cruz já foi demitido por pressão do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

O estopim para a crise foi uma nota no jornal O Globo que afirmava que o Salles estava esticando a corda com a ala militar do governo federal por conta da falta de recursos no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Na ocasião, ele disse que, sem dinheiro, brigadistas interromperiam atividades de combate a incêndios e queimadas.

A decisão de Salles de tornar público o embate, segundo assessores palacianos, tem como objetivo acelerar o processo de fritura de Ramos e convencer Bolsonaro a demiti-lo na minirreforma ministerial prevista para acontecer em fevereiro.

O grupo que defende a substituição de Ramos conta com o respaldo de Carlos Bolsonaro e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Para reforçar o apoio a Salles, o filho 03 do presidente postou mensagem desejando "força" ao ministro. "O Brasil está contigo e apoiando seu trabalho", escreveu.

A troca de Ramos também recebe o apoio do secretário da Pesca, Jorge Seif, e do escritor Olavo de Carvalho, considerado o guru da família presidencial.

No processo de fritura, congressistas da base ideológica dizem que falta a Ramos jogo de cintura por ele ser militar. Eles também reclamam que o ministro da articulação política os trata bem, mas, em questões práticas, como a liberação de dinheiro das emendas parlamentares, prioriza os pedidos do Centrão.

Até o momento, Bolsonaro não deu sinais de que pretende tirar Ramos do cargo. O general conta com a confiança do presidente e é creditada a ele a articulação que selou a aliança do governo com o bloco do Centrão. O militar ganhou recentemente o apoio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

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