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Divulgação/Guilherme Boulos
Aos 15 anos, Guilherme Boulos ingressou no movimento estudantil como militante na União da Juventude Comunista


O professor e coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST),  Guilherme Boulos (PSOL), concedeu entrevista ao vivo ao iG na manhã desta quarta-feira (7), nas tradicionais lives de sabatina com os elegíveis à prefeitura de São Paulo, onde defendeu uma gestão descentralizada, com participação popular e que enfrente as desigualdades da maior cidade do país.


“Um dos principais problemas de São Paulo é a desigualdade . Os abismos que separam as pessoas da cidade”, declarou Boulos ao falar sobre a sua proposta para o plano diretor de São Paulo, que será realizado pela governo que assume a prefeitura em janeiro de 2021. “O plano diretor tem a responsabilidade de democratizar a cidade”, diz.

Nesse sentido, Boulos propõe a “redução das distâncias sociais e geográficas” por meio criação de áreas empresariais e comerciais nas periferias para estimular a geração de renda e emprego, fomento a projetos de agricultura familiar nas áreas rurais da cidade com produção de alimentos orgânicos, retomada dos sacolões abastecidos pelas cooperativas familiares, descentralização dos empregos para lidar com a superlotação do transporte público e a revitalização do centro antigo para que se torne uma área de convivência urbana. 

O candidato do PSOL garantiu que terá uma boa relação com a Câmara Municipal, mesmo que o seu governo não tenha maioria na casa. Ele também disse ter uma "bagagem invejável para administrar São Paulo”, por contar com a ex-prefeita Luiza Erundina com companheira de chapa e por sua atuação no movimento social. 

“Eu vou ter uma relação democrática com os vereadores de São Paulo e espero que os partidos progressistas consigam eleger bancadas expressivas. Eu não sou Bolsonaro que briga com todo mundo", afirma.

“A gente tem que saber de onde emana o poder. O prefeito e os vereadores não são os donos da cidade. Eu vou descentralizar o poder. Eu vou respeitar os vereadores e ouví-los, mas vou construir um governo junto com o povo ”, complementa.

A relação respeitosa com os vereadores será necessária para implementar políticas públicas como a da criação de um auxílio emergencial entre R$ 200 e R$ 400 para atender um milhão de família em situação de extrema pobreza na cidade. Segundo Boulos, a proposta deve custar cerca de R$ 3,5 bilhões aos cofres públicos e ele garante que há dinheiro em caixa para executar a política.

“Essas pessoas do caixa do PSDB gostam de tratar a prefeitura como banco. Prefeitura não é banco, não tem que dar lucro. “Eu vou enfrentar o esquemas e as máfias e inverter as prioridades da cidade para aqueles que mais precisam, assim dá para fazer o auxílio para que mais precisa”, afirma. 

Saúde e Covid-19

Boulos criticou a política do atual prefeito da cidade de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), de criar hospitais de campanha ao invés de realizar obras nas estruturas públicas já existentes. Ele criticou as gestões tucanas dizendo que prometeram salvar vidas e acabaram " não salvando nem vidas e nem empregos ".

“A partir de janeiro vamos reabrir todos os hospitais e leitos fechados na cidade de São Paulo”, disse Boulos, que defende o foco no atendimento primário. O candidato também defendeu a realização de concursos públicos e convocação dos aprovados nos últimos concursos para que trabalhem em UBSs (Unidades Básicas de Saúde) das periferias . Ele também propõe a criação de um serviço de residência médica em saúde da família para atender as áreas periféricas.

O candidato do PSOL promete "retomar a política de valorização salárial” dos servidores públicos municipais e criar planos de carreira. “Sem servidor público estimulado e valorizado não tem serviço público de qualidade na ponta”, afirma. 

Educação

Assim como os demais funcionários públicos, os professores serão estimulados na gestão Boulos. O candidato garante que com a aprovação do Fundeb pelo Congresso Nacional, São Paulo terá os recursos necessários para equipar as escolas. 

Ele garante que haverá o desenvolvimento do EAD, dando continuidade aos UniCEUs, instituição de ensino à distância geridas pela prefeitura.

Transporte Público

“Eu não vou governar para empresário do transporte. Vou governar para o povo que pega ônibus lotado todos os dias”, afirma. Caso eleito, Boulos promete rever todos os contratos de licitação com concessionárias de ônibus para evitar lucro excessivo em fraudes da chamada " máfia do trasporte " e defende que na sua gestão "a planilha das empresas tem que ser aberta”.

Além disso, o candidato garante a retomada do passe livre para estudantes -- suspenso durante a pandemia do novo coronavírus pelo prefeito Bruno Covas --, desempregados e mulheres gestantes e com crianças. Para isso, ele promete mudar o critério de pagamento da prefeitura aos empresários porque, segundo ele, “a superlotação de ônibus é premiada pela prefeitura”.

Cracolândia

O candidato doi enfático ao dizer que no seu governo o problema da Cracolândia será enfrentado pelas áreas da sáude e da assistência social . O papel da prefeitura é entrar com saúde pública e cuidar dessas pessoas”, diz. 

Boulos propõe a criação de casas solidárias com a presença de psicológos e assistentes sociais para acolher os moradores de rua e usuários de droga dessa região. Ele também aposta na "porta de saída", com a garantia de emprego para os dependentes quimícos que quiserem largar as drogas.

Minhocão

Ainda na região central, o candidato revelou o interesse em transformar o elevado Presidente João Goulart, o Minhocão, em um parque , mas garantiu que irá atender a vontade popular manifestada no plebiscito.

“A minha proposta é ouvir o conjunto da população em relação ao Minhocão”, afirma. Nessa mesma área, Boulos propõe um govenro com orçamento participativo, em que as pessoas decidam em conjunto com a prefeitura a utilização dos recursos no bairros.

Subprefeituras e aplicativos de entrega

O candidato Guilherme Boulos garante que o processo de escolha dos subprefeitos não será feito de forma política e deverá atender as necessidades da população local.

“Tem que ter o critério democrático da região. Subprefeito tem que ser morador da região e tem que ser diálogado com os moradores e lideranças da região para que as pessoas se sintam representadas”, afirma.

Sobre a situação dos entregadores de aplicativo, o candidato diz que “é uma ditadura a relação dessas empresas com os entregadores” e por isso propõe a regulamentação dessas atividades na cidade. Boulos propõe a criação de um fundo de seguridade e auxílio para os trabalhadores dos aplicativos, além de negociar com as empresas para melhorar as taxas pagas.

“Vamos manter os aplicativos na cidade, mas ao mesmo tempo garantindo dignidade e direito aos trabalhadores", garante.


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