Pastor Everaldo também foi candidato do PSC à Presidência
Divulgação/PSC
Pastor Everaldo também foi candidato do PSC à Presidência

A influência do Pastor Everaldo , presidente nacional do PSC, no governo Wilson Witzel não se limitava à Cedae e à Saúde, como disse o ex-secretário da pasta Edmar Santos em sua delação premiada à Procuradoria Geral da República. Everaldo, um dos presos na operação Tris in Idem por suspeita de corrupção, também interferia em contratos de comunicação e publicidade do Executivo fluminense, informou ontem o “RJ TV”, da Rede Globo.

Segundo a reportagem, o governo do estado contratou a Agência Nacional para a produção de conteúdo midiático, como vídeos. A empresa, por sua vez, terceirizava o serviço. Mesmo assim, é necessário, por lei, fazer uma tomada de preços, e alguns repasses foram feitos diretamente dos cofres do estado para os fornecedores. Nesse contexto, aparece uma suposta influência do pastor Everaldo , de acordo com o telejornal.

Em novembro de 2019, a Casa Civil abriu um processo para a contratação de uma empresa encarregada de produzir quatro filmes publicitários de 30 segundos para a “Semana de prevenção e promoção da saúde”. Três agências apresentaram propostas, e a vencedora foi a Central do Brasil, com um valor de R$ 187 mil.

Ela pertence a Edilete Valéria Chaves Damasceno, mulher de Carlos Alberto Donato, dono da Multimix Produções Artísticas, que concorreu no mesmo pregão. E, segundo o “RJ TV”, o casal é dono de uma terceira empresa, a Expressão Colateral Edição e Eventos Ltda., que recebeu mais de R$ 1 milhão do diretório do PSC no Rio desde o ano passado.

A outra produtora que apresentou uma proposta para fazer vídeos da “Semana de prevenção” foi a Somma Serviços de Comunicação. Ela é responsável pela assessoria de imprensa do PSC e de Wilson Witzel desde seu afastamento do governo por ordem da Justiça. No ano passado, a empresa recebeu R$ 136 mil do partido.

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Em abril, o governo do estado abriu uma nova concorrência na área de comunicação, desta vez para a produção de peças publicitárias sobre o combate à pandemia da Covid-19. A Central do Brasil e a Expressão Colateral participaram, mas a vencedora foi a Somma, com um orçamento de R$ 220 mil.

Em um outro contrato, para a produção de vídeos de uma campanha sobre cuidados contra o coronavírus, as três empresas do casal Donato apresentaram propostas. A vencedora foi a Expressão Colateral, que utilizou imagens gratuitas na peça publicitária. A agência Binder, que havia chamado a Expressão Colateral e a Somma, identificou a irregularidade e avisou ao governo do estado, que suspendeu o pagamento para a primeira. A Somma apresentou uma declaração na qual informou que nenhum de seus sócios é da família Donato, e o repasse para ela foi autorizado.

Procurada pelo “RJ TV” para comentar o assunto, a assessoria de Everaldo informou que não comentaria “ilações” e que “confia na Justiça”, tendo “fé de que ele será libertado em breve”. Witzel afirmou que “a comunicação de seu governo sempre foi comandada por técnicos e todas as contratações da área seguiram a legislação.”

A empresa Somma destacou não ter contrato com órgãos públicos, informou que todos os seus clientes são da iniciativa privada e destacou que seu serviço foi entregue em abril, mas ainda não recebeu o pagamento.

A Agência Nacional informou nunca ter tido relação com o PSC ou Everaldo . Carlos Donato disse que sua empresa presta serviços pontuais ao PSC, sem contrato fixo.

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