otoni de paula
Michel Jesus/Câmara dos Deputados
O deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) durante sessão solene em homenagem ao dia da conquista do voto feminino

Denunciado nesta terça-feira (14) pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por usar as redes sociais para atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) foi convidado a se filiar ao PTB pelo presidente da legenda, Roberto Jefferson. No acordo costurado, Otoni apoiará a candidatura da ex-deputada federal Cristiane Brasil, filha de Jefferson, à prefeitura do Rio. Em troca, terá o apoio do PTB para disputar o governo do Rio em 2022.

Tanto Otoni quanto Jefferson têm utilizado suas redes sociais para criticar o Supremo Tribunal Federal e são investigados no inquérito que apura a disseminação de fake news . Nesta terça, Otoni foi denunciado pela PGR pelos crimes de difamação, injúria e coação por ter, segundo o Ministério Público Federal, ofendido por 19 vezes "a dignidade e o decoro do magistrado". Em uma das gravações, Otoni chamou Moraes de " canalha ".

O parlamentar também é acusado de, em duas ocasiões, "empregar violência moral e grave ameaça para coagir Moraes e, com isso, beneficiar a si mesmo". Jefferson, por sua vez, chegou a comparar, em maio, o STF a um tribunal nazista .

Procurado, Otoni de Paula, que rompeu com o PSC por conta de críticas ao governador do Rio, Wilson Witzel , confirmou o convite de Roberto Jefferson e comentou a denúncia do MPF. "Aceitei o convite do PTB com a convicção de que essa ação é feita para me intimidar e intimidar protestos e manifestações populares. A mensagem é: 'Se a gente faz isso com um deputado, que tem imunidade (parlamentar), imagina o que não podemos fazer com vocês'".

Crisiane Brasil, por sua vez, disse: "Meu pai se alegrou muito com a vinda o Otoni, que é um guerreiro. Ele terá a legenda para, em 2022, disputar a eleição que quiser, seja para o governo, seja para o Senado. As pessoas que hoje estão no STF, que deve proteger a Constituição, foram nomeadas politicamente por partidos. Portanto, se foram criticadas na pessoa física, é na pessoa física que devem responder, como diz o código penal. É essa a crítica feita".

Tanto Otoni quanto Jefferson , que adotam tom hostil ao STF, usam as redes para fazer referências elogiosas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e buscam angariar o apoio de segmentos bolsonaristas. Jefferson, que convidou Bolsonaro para se filiar ao PTB , chegou a dizer a um correligionário que o presidente está "muito inclinado" a ir para a legenda. Bolsonaro, por sua vez, ultimamente tem evitado atritos e buscado um tom mais moderado, sem as críticas de outrora aos poderes Judiciário e Legislativo.

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