Presidente do STF, ministro Dias Toffoli criticou ataques e disse que Supremo não se sujeitará a nenhum tipo de ameaça
Agência Brasil
Presidente do STF, ministro Dias Toffoli criticou ataques e disse que Supremo não se sujeitará a nenhum tipo de ameaça

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) , a Polícia Federal (PF), a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal e o também ministro do STF Alexandre de Moraes apurem o protesto ocorrido no sábado em que manifestantes soltaram fogos de artifício em direção ao prédio da Corte . Ele também solicitou uma investigação contra  Renan da Silva Sena, um dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro que fazem ataques ao STF e que foi preso neste domingo (14) pela Polícia Civil do Distrito Federal.

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Os ofícios enviados são idênticos e curtos. O ministro Alexandre de Moraes foi um dos destinatários por ser o relator do processo aberto no STF para investigar ataques e ofensas à Corte, o chamado "inquérito das fake news".

"Solicito a Vossa Excelência as providências necessárias à apuração, para responsabilização penal daquele(s) que deu/deram causa direta ou indiretamente, inclusive por meio de financiamento, dos ataques e ameaças dirigidas ao Supremo Tribunal Federal e ao Estado Democrático de Direito, na noite de ontem (13/06/2020), inclusive com a utilização de artefatos explosivos (fogos de artifício)", diz o primeiro parágrafo de cada ofício.

O segundo é dedicado a Renan da Silva Sena . Toffoli quer que ele seja investigado "por ataques e ameaças à Instituição deste Supremo Tribunal Federal e ao Estado Democrático de Direito, inclusive por postagens em redes sociais, bem como todos os demais participantes e financiadores, inclusive por eventual organização criminosa". Renan é o mesmo manifestante que em 1º de maio agrediu profissionais de enfermagem que protestavam em frente ao Palácio do Planalto.

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Em nota, a Polícia civil do DF informou que  Silva Sena fez uma gravação "com pronunciados delituosos contra a pessoa do Governador do Distrito Federal Sr. Ibaneis Rocha, do Presidente do Congresso Nacional [senador Davi alcolumbre] e do Presidente do Supremo Tribunal Federal".

Segundo a Polícia Civil, ele estava em um carro em que a motorista não obedeceu a ordem de parar. Quando finalmente parou, ela arrancou, arrastando um policial por algns metros. Ao parar novamente, Renan foi tirado do veículo e levado à delegacia. A Polícia Civil não informou se a motorista também foi presa.

Neste domingo, três ministros do STF reagiram aos manifestantes que soltaram fogos de artifício. Em nota, Toffoli disse que o tribunal não se sujeitará a ameaças e que o ato "simboliza um ataque a todas as instituições democraticamente constituídas". A mensagem dele foi acompanhada por uma manifestação semelhante do ministro Alexandre de Moraes, que depois foi compartilhada pelo também ministro do STF Luis Roberto Barroso .

Em sua nota, Toffoli afirmou que atitudes como as dos manifestantes têm sido "estimuladas por uma minoria da população e por integrantes do próprio Estado". O presidente do STF não citou nomes de autoridades, mas foi um recado ao ministro da Educação, Abraham Weintraub . Neste domingo, Weintraub se encontrou com manifestantes pró-governo, entre eles alguns que estavam na queima de fogos de artifício , e voltou a chamar os ministros do STF de vagabundos.

Vídeos do ato de sábado foram divulgados em redes sociais. Não há registro de dano ao prédio do STF. Toffoli foi chamado de "bandido", assim como o ministro Gilmar Mendes. Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Rosa Weber também foram xingados pelos manifestantes. Manifestantes diziam que aquilo era um "recado". Um deles repetiu a frase "acabou, porra", dita por Bolsonaro para criticar uma operação determinada pelo STF no âmbito inquérito que investiga notícias falsas e ataques contra a Corte. Outra pessoa afirmou que os ministros vão "cair" e que o grupo vai derrubá-los.

Em um dos vídeos do protesto , um homem que se apresentou como assessor do deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) aparece criticando uma pessoa não determinada: "sou Cavalieri do Otoni, assessor do deputado federal Otoni de Paula. Você não vai acabar com o nosso Brasil. Viva a democracia. Canalha. Nosso Brasil vai ser livre, eternamente. Em nome de Jesus".

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