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Bolsonaro foi acusado por Moro de interferir na PF

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, comparou o governo de Jair Bolsonaro aos governos petistas. Para Moro, o bolsonarismo não consegue enxergar os erros assim como o petismo fez no passado.

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Sérgio Moro declarou que os erros do PT em relação aos desvios na Petrobras podem ser equiparados aos erros atuais da gestão Bolsonaro em relação à pandemia de coronavírus (Covid-19).

O ex-juiz da lava jato também comentou ser favorável aos movimentos denominados pró-democracia, e anti-bolsonaristas, que estão acontecendo no Brasil.

"Vejo esses manifestos com naturalidade, como reação às declarações que não têm sido felizes por parte do presidente, esses arroubos autoritários. Estamos discutindo temas da Guerra Fria, não deveríamos", comentou.

Sérgio Moro disse, na visão dele, o que são esses 'arroubos autoritários' que ele citou: "Quando o presidente invoca as Forças Armadas, a minha percepção é que não existe nenhum espaço nelas para um movimento de exceção, um golpe, algo dessa espécie. Quando o presidente fica invocando, de maneira imprópria para defender posições políticas, isso gera nas pessoas receio, temor", disse.

O ex-ministro, quando questionado se fazia parte dos 70% contrários ao presidente que estão indo às ruas, disse que sempre defendeu a democracia e o Estado de Direito.

"Minha saída do governo se insere nessa defesa. Democracia e Estado de Direito têm muito mais que 70%, quase 100%. É uma anomalia estar discutindo essas questões".

Quando ainda era juiz da lava jato, Sérgio Moro investigou importantes líderes da esquerda, como o ex-presidente Lula. Quando questionado se iria aderir, de fato, os protestos contra o governo atual e que contam com membros ativos da esquerda atual, Moro disse que algumas pessoas confundem investigação com perseguição.

"Há uma incompreensão do que foi a Operação Lava Jato, um caso judicial de investigação de corrupção. Há pessoas que ficam ressentidas porque alguns de seus ídolos políticos foram atingidos. Assim como atingiu o ex-presidente Lula, atingiu o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. As pessoas foram processadas pelo crime de corrupção, que não tem nada de democrático", afirmou.

Moro também disse que não sabe se vai aderir a algum movimento em específico. "Essa é uma questão em aberto".

Na entrevista, foi perguntado a Moro sobre o autoritarismo no governo Bolsonaro, no qual ele fez parte por um ano e quatro meses antes de sair por acusar o presidente de tentar interferir na PF.

Ele afirmou que não ajudou a criar esse perfil autoritário no governo e que, ao contrário, algumas pessoas internamente viam como um alívio ele ter um perfil mais 'moderador'.

"Tenho histórico de juiz, de respeito ao Estado de Direito, e sempre me vi dessa forma, como espécie de um anteparo a medidas mais autoritárias. Quando verifiquei que não tinha mais condições de exercer esse papel, eu sai", disse Moro.


Interferências na PF

Sérgio Moro disse que nunca foi a intenção dele prejudicar o governo, mas ele precisava 'proteger' a Polícia Federal da interferência política e que, agora, o local para se discutir o assunto é no inquérito.

"Quando prestei as declarações, nunca foi meu interesse prejudicar o governo. Eu quis explicar por que estava saindo e minha intenção era proteger a PF da interferência política. Não foi por causa do diretor em questão, da PF em questão, mas porque é uma instituição que deve agir como órgão do Estado".


Moro presidente?

O ex-ministro disse não haver intenção nenhuma em ser presidente, que ele não tem essas ambições. "Não existe nada disso. Eu tinha um plano quando estava no ministério, saí faz um mês. Nunca tive essas ambições pessoais nesse nível, sou uma pessoa muito mais simples".

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